Virgínia Fulber


Aceitando os desafios apesar dos medos  -Carta  aos amigos
Virgínia Fulber

Ter Medo é normal, todos temos nossos medos, alguns razoáveis, outros devido a traumas, bem, como sou uma pessoa bastante humana e demasiadamente humana, possuo os meus e convivo com eles não os perdendo de vista,mesmo porque tive alguns muito especiais, risos, e o mais  terrível foi( ainda existe um restinho) é

Referente a ser  Entrevistada, pois está relacionado a questões Éticas dos entrevistadores,  jornalistas ou pessoas da imprensa em geral. Retorno a este ponto,

Logo abaixo após um parêntese ...-

Nesta manhã  de domingo, 17 de agosto, estava colocando  em dia a correspondência, entre estas  E mails , avisos de atualizações de Sites e Portais, fui a eles , teci comentários, atendi as solicitações, respondi scraps, etc. Ao entrar no  Espaço Ecos no Portal VMD,  visitei vários Canais , li maravilhas ... Pois que,  para minha surpresa, agradável e ,que levou-me as reflexões que se seguem, encontrei-me entre os entrevistados no Canal de  Entrevistas , (trata-se de entrevista concedida a alguns anos passados à Vânia Moreira Diniz.)

Achei muito bacana, havia esqueci de tê-la  concedido e fui reler-me  e,creio que vale  como complementação de uma possível apresentação pessoal , afinal ainda nos conhecemos pouco apesar dos anos de convívio, sobre o que nos move, afeta e de certa forma constrói nossos corpos ...

Quem já me conhece um pouco sabe da resistência, (preguiça ?), desinteresse,que possuo em falar de mim mesma.

Como disse no início este é um dos meus Medos imaginem ser solicitada a isto ! Ser entrevistada formalmente por canais de imprensa e estar visível e disponível na Rede global!!!...  Situação para mim desafiante ...Exagero? Ah, lembrei que vcs. não sabem

Da história ; Bem tudo começou quando no início dos  anos 70  sofri uma ferrenha perseguição e, quase fui expulsa da Escola por minha ingenuidade em uma Entrevista concedida à UNE, ocupava o cargo de presidente do Grêmio Estudantil da Escola Normal Santa Catarina. Não que não sustentasse minhas idéias revolucionárias, mas o entrevistador foi deveras cruel em colocar a minha entrevista em evidência centro e Capa do Jornal NH-esta foi gravada e depois redigida por este que a publicou sem minha prévia avaliação e revisão do que ele havia “ escrito”, ele queria publicidade e chamar a atenção para si mesmo, como alguém muito preocupado com a situação dos estudantes, era jovem, mas na época eu era ainda mais ! Foi terrível, auto falantes pelos corredores da escola exigindo minha presença, a diretora pegando-me pelo barco, sacudindo-me para que eu desse um depoimento contrário à imprensa, etc...

Foi então que esta decidiu que eu seria expulsa ,estando eu passada por média,  no último ano do curso de Magistério.

Havia alguns , apenas uma minoria de alunos que tiveram coragem de manifestar alguma indignação, mas temiam por si mesmos. A Irmã responsável pela biblioteca com quem tinha alguma afinidade, querendo consolar-me ,disse-me " virgínia alguns tem que morrer para q. outros vivam...".imaginem logo eu de mártir !).

Este tempo deixou marcas que hoje sinto de importância na minha formação enquanto pessoa pois sobrevive ao episódio e a tantos mais.

Bem os desafios  perseguiram-me chegando de volta a minha cidade, estabelecida profissionalmente, fui procurada  para ser Entrevistada pelos Jornalista Vinícius e o fotografo Alceu Feijó do Jornal  NH ,numa série realizada por estes intitulada Mulheres que Vencem Muralhas. Quando publicada levei um susto, euzinha novamente em destaque página e meia de Jornal,enorme com foto grande e novamente como o jornalista só anotou saiu sem prévia minha revisão, coisa que não me agrada, alguns jornalistas  escrevem sua interpretação, cometem erros , equivocam-se em suas interpretações , erros humanos, ou tendenciosos, nõ quero entrar no mérito aqui...

Sobrevivi , e veio outro convite para a Rádio em 94 ou foi antes? Depois na TV, ufa! Nesta, aliviou-me pensar que haveria pouca audiência, mas não podia deixar de atender ao chamdo do Mauro Harf (músico e comunicador de NH,-rádio e TV locais- que agradeço per desafiar-me ) .

Um chamado  consegui dar a volta foi para fazer um programa na Rádio, feito pelo Beto Ody, graças ao pouco tempo disponível  safei-me com umpouco de elegância, risos!...

Não sei de vcs. mais eu tremo só de rever-me ou re-ler ou ouvir-me...risos.

Difícil não trair-se e ou fazer-se claro e inteligível nas entrelinhas, sempre há margem à interpretações maldosas quando não somos acostumados a declarações desta natureza. 

Ao reler agora vejo como  Vâninha soube esculpir com  a maestria peculiar de suas perguntas um pouco de minha essência e jornada profissional..

Ser   passada em revista representa um desafio para mim ainda , tal  qual foi retornar a esta terrinha natal, Novo Hamburgo RS-Brasil, onde predominava a cultura germânica, a rigidez, a ordem a qualquer preço, terreno fértil ao regime ditatorial...

Desafio que enfrentei vigorosamente e de coração aberto a 20 anos;

Saindo do particular, penso que não sou a única a trazer este tipo de marca , receio do regime  ditatorial, da falta de ética. Penso que a paranóia de perseguição subtrai, ainda, do convívio profícuo  de muitos jornalistas, escritores, artistas, poetas...

Enfim vozes fragmentadas por tempos em que o corpo precisava manter-se inerte, a respiração suspensa, em salas de aula, por exemplo, perguntar nem sempre era bem visto, argumentar então.... A diferença era anomalia, a regra era a cópia aos padrões e s t a b e l e  c  id o s . Lembrando as inúmeras intervenções em lares que vcs. devem ter acompanhado por documentários televisivos ou na Literatura disponível, bastava falar-se uma língua estrangeira para desperta suspeita, e isto lembra –me que aqui na minha cidade houve um movimento considerável durante a segunda guerra, havia inúmeros descendentes de alemães   que não falavam a língua portuguesa e sofreram por este motivo, não só aqui como em outros estados e Países...

Para concluir desejo dizer que  é  preciso que ousemos, inclusive os acadêmicos e intelectuais, sair dos auto-exílios, e, estar atentos e fortes como diz a bonita canção!   Também é preciso  de arriscar-se um pouco mais, criar uma segurança interior, sapiência e esperança de que a verdade sempre vem à tona e, que se nos abrirmos,  amigos sempre iremos encontrar, pessoas que enxergam. Na época foram os professores que corajosamente ergueram-se contra a Diretoria à meu favor, foram os de Psicologia e da Filosofia, minhas matéria favoritas. No entanto fiquei meio perdida em saber o curso a seguir, motivo pelo qual ingressei no Direito na época , queria encontrar meus próprios direitos !  O sábio Carlos Freire, meu sogro na época advertiu-me  “ não sabes direito o que queres, ainda ..Direito para ser direito só o Direito Internacional”. Refleti, pensei, pensei, mesmo assim fui para S. Paulo e cursei dois semestres antes de retornar à Filosofia, minha primeira opção, já quando o reitor da Puc-RS, frente a um enorme auditório ridicularizou-me quando da minha manifestação sobre esta opção!

Avante queridos, que possamos não esquecer da importância da liberdade de expressão, liberdade conquistada não facilmente e, de observarmos a Imprensa de olhos bem abertos principalmente quanto a Ética e posicionamentos tendenciosos  desta,lembrando  generalizar é demasiado  perigoso e denota ignorância, ainda que o que não me matou fortaleceu-me , emprestando a expressão de Nietzsche...

Virgínia Fulber, RS, Poeta, Colaboradora do Site VMD, com textos e poemas em outros sítios na Internet. Exerce a profissão de Biopsicoterapeuta. Foi Instrutora de Yoga Taoísta, formação internacional.


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