

Educação - Editorial
Maria Tereza Armonia
Fui honrada pela Vânia, minha querida amiga que, numa enorme demonstração de confiança, me entregou o Canal de Educação do Espaço Ecos.
Não vou exercer falsa modéstia aqui, primeiro, porque preciso mostrar serviço já que fui chamada a isso e, depois, porque a minha vida gira em torno mesmo da Educação, desde que abracei a causa, há mais de dez anos.
Quem dera pudéssemos dar um tom ameno a este início de trabalho no Espaço Ecos! Quem dera pudéssemos anunciar novas políticas públicas que sanassem de vez o fracasso da escola que temos! Quem dera pudéssemos anunciar que não existe mais desigualdade social no Brasil e todas as crianças e adolescentes pudessem dedicar seu tempo à formação escolar, tão necessária à vida de qualquer cidadão!
Contudo, nada disso podemos alardear, pelo menos por enquanto. Na verdade, acho que como eu, todos os que me lêem neste momento gostariam que a Educação fosse esquecida porque fortalecida em parâmetros corretos, avançados e eficientes.
Mas, a cada dia temos mais e mais motivos para adiar a alegria de boas noticias.
Embora a universalização da escola, aqui citada como materialidade, tenha se dado, ainda é precária a universalização de formação dos sujeitos alunos de escolas públicas. Cito principalmente estes, porque são os que estão na ponta do fracasso escolar. Senão, não necessitaríamos de garantir vagas em universidades públicas para eles. Isto é a mais clara comprovação de que o ensino é desigual nas diversas camadas sociais: o pobre estuda na escola fundamental pública e deságua numa faculdade particular. O rico se prepara nas escolas privadas para garantir a sua vaga na universidade pública.
Os projetos político-pedagógicos das escolas públicas, cada vez mais se equivocam, ao não garantir um ensino de qualidade para seus alunos. Isto porque cada aluno custa um valor “X” ao Estado (neste caso leia-se município[1]) durante os nove anos de permanência no ensino fundamental. Se ele custar “X + 1” já ficou caro aos cofres públicos. Por isso, a necessidade de se aprovar (empurrar) o aluno todo ano, mesmo que ele não tenha dado conta de aprender.
Por último, cabe comentar um problema social, que é a absoluta incapacidade das famílias de classes sociais populares manterem seus filhos na escola. E não é com a bolsa-escola ou qualquer outro benefício do governo que eles conseguem esta façanha, mesmo porque, ao avançar as séries, o conhecimento que adquiriram é pouco para o que têm a aprender. Além da necessidade do trabalho, existe a defasagem de aprendizagem dos conteúdos.
Nota-se que boas notícias não virão tão cedo. Quero deixar claro aqui que a culpa não é única e exclusiva do governo que administra o país hoje. Educação é uma matéria que há anos vem dando o que falar, inúmeras reformas instauradas, inúmeras tentativas frustradas.
Para nós, pesquisadores, isso é um prato cheio, já que nos oferece temas de pesquisa em todas as áreas educacionais, sobre todos as temáticas, sobre todos as disciplinas. Entretanto, creio que todos gostaríamos mesmo é de ter que buscar em outra lógica, que não a do fracasso, nossos temas de pesquisa e estudo.
Fiz uma tentativa de ser otimista neste editorial de apresentação do Canal de Educação do Espaço Ecos. Mas, sinceramente, não foi possível. Cada dia fica pior e isso pode ser visto nos exames de proficiência do governo, ano após ano. O ENEM[2], então, já virou chacota. Acho que todo mundo espera o que virá nas próximas avaliações, para rir um pouco e depois chorar muito, porque um país sem educação é o que virou o Brasil: sem lei, onde quem é politicamente correto é escrachado, onde o povo só se interessa por futebol e carnaval e os jornais apenas se preocupam em noticiar quem os atores globais estão namorando e outras titicas das quais não vale a pena falar.
Ficamos por aqui, esperando que ao longo das próximas edições tenhamos notícias boas a dar, ainda que tenham ocorrido no micro-universo das escolas, cada um fazendo o seu pouquinho, fazendo o seu trabalho com amor, competência e eficácia.
Porque é de pouco em pouco que a gente ajunta muito.
[1] Pela nova Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96, ao Município cabe custear o ensino fundamental de nove anos (antigos pré, 1ª a 8ª séries); ao Estado, os três anos do ensino médio e à Federação, os anos de Universidade.
[2]
Exame Nacional do Ensino Médio
Maria Tereza Armonia
Maria Tereza Armonia Professora ,
escritora, poeta e Webdesigner.
Owner do site "Tempo de poesia" .
Mineira da cidade de Juiz de fora, morando atualmente na capital mineira
de Belo-Horizonte. Brasil