O Espaço Ecos entrevista a escritora, poeta, professora e bioterapeuta Virgínia Fulber
Entrevista gentilmente concedida à Vânia Moreira Diniz

1-Virgínia você nasceu no  Rio grande do Sul? São lindas todas as cidades desse estado extraordinário.  Em que cidade exatamente?

R- Novo Hamburgo. Quero agradecer-te Vânia por tua amizade e estímulo em partilhar meus singelos registros. Gostaria que as pessoas  sentissem a mim e a si mesmas como pessoas, antes de profissionais que somos. Desejo ser sempre apenas uma pessoa!

Antes de mais nada, muito prazer, Virgínia, pessoa (branca  que vista de perto é negra, mulata, mulher, homem, menina, índia(o) e tantos mais) de Além Mar!

2-Alguma passagem interessante ou marcante que tenha guardado intacta em sua memória? Foi uma infância intrinsecamente feliz?

R- O interesse de meu pai em culturas  diversas e , no contato com a natureza.  O primeiro relato sobre Índios feito por este foi decisivo em meu ver com olhos ternos, sem preconceito  os diversos povos e respeitar as diferenças. Visitamos, na minha infância alguns sítios  de pequenas famílias indígenas , que me afetaram em simplicidade, alegria e espanto,  profundamente. Sim uma infância contente.

3-Como foi escrever um texto saído de sua inspiração pela primeira vez?

R- Puxa, quando  muito menina, por volta dos 09 anos de idade ,um poema a um gato de estimação, parecia que não tinha saído de mim tais palavras e declaração de amor à vida , palavras  eu nem sabia que conhecia  brotaram de minhas mãos  como um hino, passei a ler o poema como uma canção e cantá-lo, literalmente!

4-Sei que andou por diversos estados enquanto estudava. Seu pai exercia alguma profissão que o obrigava a transferir-se ou apenas opção?

R- Com meu pai foram viagens à passeio. Andei  sozinha sem meus pais  desde os dezenove anos quando fui estudar em SP, meu pai havia estudado  neste Estado, e dizia que o mundo  estava lá! Do Instituto Butantã ,à Av. Paulista e o Teatro Municipal, SP.  Aguçou ainda mais meu desejo de conhecer em loco as culturas existentes neste País maravilhoso, precisava  conferir e vivenciar!

Vivi em cavernas, Ilhas, Universidades, Ocas. De Siriemas e Araras trago ainda

Gosto pelas plumagens e traços  incertos, dos Teatros e convívio com  artistas, um desatino em minhas divagações , me delicio,  tanto no Copacabana Palace como numa choupana  no MT. Com Prof Claudio Ulpiano na URJ encontrei os maiores afetos (pessoas),um filósofo vivo que passou-nos corpo a corpo seus ensinamentos. Em Goiás no trabalho na Universidade com ex delinquentes juvenis, a aventura de sentir –me necessária. São tantas e diferentes experiência as quais sou grata  que citar algumas é trair outras tantas.

5-Pode me falar de seus ídolos na literatura e na filosofia cujo conhecimento possa ter se aprofundado e funcionado como grandes mestres em sua vida?

R- Na literatura fiquei com Sófocles , primeiro  pensador ocidental que tratou do

Tema ecologia em sua obra magnífica. Sakespeare, incrível conhecedor da alma humana! O poeta  Fernando Pessoa por roçar a filosofia e Nietzsche por tanger a Poesia. Pablo Neruda, encantamento, com o Oceano. M. Heidegger  em Ser e Tempo, principalmente, este também  queria um médico que  entendesse sua filosofia. Sartre com sua Simone ! Espinoza novamente em sua Ética , a natureza meu tema  predileto . Além destes  afetaram-me seus afetos,consequentemente.

6-O que de mais profundo influiu em seu modo de vida  os conceitos do filósofo friedrich Nietzsche?

R- A Gaia Ciência,  obra  fantástica ! Sua maneira de escrever, seus  aforismos, capacidade de síntese com conteúdo intenso. Ele mesmo falou algo como  > Escrevo  em linhas o que outros  precisam de alguns volumes para dizer> Liberdade de ser e pensar uma  filosofia  de vida VIVA e potência!

7- A Yoga lhe trouxe alguma forma de tranqüilidade ou encontrou nela mais do que isso?

R- União, Yoga quer dizer isto, penso ser o que anseio re-ligar-me, sempre, estar eu , aterrada, ser uma pessoa  íntegra; estar inteira em tudo que faço e onde estou.

8-Sei que você considera o desconhecimento responsável por partes negativas que ocorram ao ser humano. Poderia explicar isso mais detalhadamente?

R- Desconhecimento de si mesmo é fonte de sofrimento. A ignorância de si mesmo nos leva a abismos e a falsos empreendimentos. Conhecer  é respeitar o que se desconhece. Conhece-se aquilo (eles) que se ama.  Todos temos desejo de Conhecer. Através  das diversas fontes de conhecimentos está implicito o homem, a busca destes empreendida. E vale !

9-Gostaria muito, Virgínia que explicasse aos nossos leitores o que é ser uma bioterapeuta e o que faz parte dessa ciência.

R- Bioterapia inclui referenciais teóricos de diversas correntes, tudo começou com S. Freud, porém  inclui outras correntes, vertentes científicas tais como  Física quântica, e referenciais filosóficos e antropológicos, visando o homem como um todo não fragmentado. As investigações sobre o pensamento Oriental

E a riqueza de técnicas empregadas no sentido de minimizar o sofrimento tem profunda influência na pratica  desta clínica que pretende romper com velhos paradigmas cartesianos. É uma terapia transdisciplinar

10-A Antropologia lhe fascina por alguma razão específica?

R- O conhecimento  e respeito ao ser humano !  Conhecimento de mim mesma!

11-O que significou para você  “ouvir o silêncio”?

R- Permitir estar aberto ao vazio criativo.

12-Na psicoterapia seu maior mestre foi Freud? Acha que suas teorias vigoram integralmente até hoje ou algumas já foram superadas por outros mestres?

R- Superado, não diria,  sim há formas de enriquecer e ampliar a visão deste  pensador  da cultura ocidental. Há tantos, J. Lacan, o filósofo M. Heidegger, G. Deleuze, aprecio C. G. Jung, alguma  coisa de W. Reich,  Hanna Arent, estou aberta, mas como sabes  aprecio o Oriente, e Freud não andou por estas vias, que muito podem contribuir ao Ocidente para diminuir o sofrimento humano.

13- O que significa a literatura para você e como se dá seu momento de criação?

R- Dedico algum tempo diário à Literatura, uma fonte de escuta  da alma humana.

Meu momento é também esta  escuta de mim mesma que transborda em registro através dos símbolos.

13-Para terminar Virgínia, gostaria que falasse de sua filosofia de vida. O que é mais importante para conjugar com eficiência no dia-a-dia o verbo viver ?

R- Estar atenta, perceber , ouvir-me .Observação constante a natureza  dentro e fora de mim mesma, isto inclui  uma escuta atenta  das outras pessoas.

Mais uma vez  grata Vânia, por desafiar-me a dizer !

Obrigada Virgínia querida, tenho certeza que seus leitores ficarão fascinados com  sua entrevista e agradeço sensibilizada .

voltar