

Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e Com a colaboração de autores convidados.
Imortalidade
Amauri Ferreira
A crença na imortalidade da alma ainda alimenta a esperança dos homens que querem encontrar uma resposta definitiva para os seus problemas existenciais. Mas a crença numa vida imortal que seria alcançada somente no mundo do além, sofreu adaptações para atender os anseios da época “moderna”. A noção de "alma" ou de “eu” ainda permanecem praticamente inatacáveis, à medida que o homem continua a viver, sobretudo, preocupado em defender-se contra os imprevistos da vida. Essa noção é realmente muito estranha para quem vive o momento, porque o homem criador já experimenta uma felicidade de natureza absolutamente distinta daquela inventada pelos homens impotentes. Para ele, soa estranho questões como “Há vida após a morte?” ou “Para aonde irá a nossa alma?”. Ora, como as religiões oferecem as “respostas” para estas questões, mais um membro doente é adicionado por uma seita. Mas estas questões não diferem, de fato, de outras, tais como “Quanto eu vou ganhar se eu me formar em tal especialidade?”, ou então, “Qual é a profissão que mais combina comigo?”. Estas questões indicam uma aflição para buscar, alcançar e conservar um “eu” - essa é a aspiração máxima que move a vida dos homens que não criam. A identidade está à venda, portanto, aos impotentes... Aos homens criadores, tais questões nem passam pela mente deles, porque já vivem de uma maneira que sentem a eternidade vibrar a cada novo ato de superação de si. Afinal, seus problemas são muito mais nobres do que os dos atrofiados... Durante à noite, há momentos que os criadores adiam o sono, não por causa das preocupações que costumam assolar o homem comum, mas porque ainda sentem reverberar os efeitos de um dia de intensa criação... A experiência da felicidade refreia a necessidade da crença na imortalidade.
Amauri Ferreira, é escritor e filósofo; coordena grupos de estudos de filosofia pela Escola Nômade.