

Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
FILOSOFIA
CLÍNICA & CINEMA II -A Escolha do Filme
Márcio José Andrade da Silva
Como dito anteriormente, iniciamos nossa escolha através de duas listas existente nas obras de Lucio Packter e Nichele Paulo. Contudo para os outros filmes que vieram e virão a incorporar-se aos nossos estudos como se dá a escolha dos mesmos? Primeiro momento de forma subjetiva. Trabalhamos com uma seleção de filmes que, em nossa análise individual, abrange o que queremos demonstrar no curso. Desta forma chegamos ao segundo momento, que são os fatores que nos interessam: as personagens, a fala, a postura, as interseções, os tópicos proeminentes, os submodos informais utilizados, ou seja, os fatores que irão compor o conceito a ser demonstrado. Atingindo duas características destacadas pro Cabrera em sua obra “O Cinema Pensa”. O Pathos = afetação e o Logos = compreensão do conceito a se mostrar.
Portanto, diante das escolhas feitas “tentaremos mesclar conceitos que fundamentam as teorias da historicidade: Interpretação de fatos, conceitos, eventos relatados nos filmes da vida dos personagens e suas possíveis implicações atuais e futuras dentro do contexto exposto. A Fenomenologia que se mostra nas imagens em forma de atos e em ações nos gestos e representações dos personagens que se dispõe nos cenários mostrados nos filmes: Investigação do que aparece; divisões sucessivas em busca de informação de intencionalidade. O Empirismo contextualizado na forma de levantamento das experiências do personagem entre um contexto e outro que fora criado para elucidar os fatos narrados, numa propositura historiciada. Analítica da linguagem; ao pesquisar as relações entre termo e conceito das falas dos personagens, para a construção do ato anterior e o subseqüente. E a Epistemologia como forma de permuta de um dentro e fora do que posso perceber e introjetar para um conhecer em trocas continuadas: como a pesquisa do conteúdo dos termos transpostos. Lógica Formal: Utilizada nos exames categoriais presentes na construção de cada cena.” (HACK & SILVA).
Alguns Exemplos: Filmes e Filosofia Clínica
Para exemplificar a utilização dos filmes na Filosofia Clínica retirei da obra “Filosofia Clínica e Cinema: uma compreensão Teórico e Prática através de Filmes” escrita por mim e por Olga Hack, alguns exemplo desta possibilidade.
Patch Adams - O Amor É Contagioso (1998) - Título Original: Patch Adams, Estados Unidos, Direção: Tom Shadyac, com Robin Williams (Patch Adams), Harold Gould (Arthur Mendelson), Michael Jeter (Rudy), Monica Potter (Carin Fischer), Philip Seymor Hoffman (Mitch),Bob Gunton (decano Wallcott), Daniel London (Truman Schiff) e Peter Coyote (Bill Davis) .
O filme é baseado na vida do médico Patch Adams que, de forma romanceada, retrata como ele buscou, e de certa forma conseguiu, uma nova forma de atuação da medicina. Um olhar humano do médico para com o paciente. Uma postura ética diante do outro. “Neste paralelo que realizamos entre o filme Patch Adams e a Filosofia Clínica está a maneira da ação em que ambas se assemelham. Como por exemplo: nas formas em estar e reconhecer na pessoa a quem se dirige um carinho e o cuidado necessário a qualquer tipo de tratamento, uma disponibilidade em implementar-se em trocas de valor. Ambas as partes estão sujeitas ao coligar da interseção, processo este, que se dá entre singularidades, entre seres únicos, no limite do espaço construído para doação e acolhimento em causas, como símbolo de uma plasticidade historiciada e em construção, em puro devir. Acreditar na capacidade de cada humano em ser diferente em suas necessidades parece algo inusitado e requerido em todos os instantes do filme, mostrar os atos de humanidade pautados na ética para com o outro desenhado por Patch é um dos nossos preceitos norteadores na Filosofia Clínica.”
Colcha de Retalhos (1995) - Título Original: How to Make an American Quilt, Estados Unidos, Direção: Jocelyn Moorhouse, com Wynona Ryder (Finn Dodd) Anne Bancroft (Glady Joe Cleary), Ellen Burstyn (Hy Dodd), Kate Nelligan (Constance Saunders), Alfre Woodard (Marianna), Jean Simmons (Em), Kate Capshaw (Sally), Dermot Mulroney (Sam) Maya Angelou (Ana), Lois Smith (Sophia Darling).
Finn Dodd é uma estudante de pós-graduação que se retira para o rancho de sua avó, no interior dos Estados Unidos, com a finalidade de completar sua tese. Ao realizar esta viagem Finn retornar às memórias de sua infância e começar a compartilhar das memórias das amigas de sua avó. Assim como uma colcha de retalho identificamos em cada personagem que constrói a colcha uma escola filosófica. “Em muitos momentos percebemos a Filosofia Clínica como uma grande colcha de retalhos. Uma delas se dá na visão ampliada de sua constituição, ao unir em sua fundamentação parte de várias escolas, ela se apresenta como uma terapêutica alicerçada na observação de fragmentos filosóficos inseridos para compor seus tópicos, ora fundamentada no conhecimento dos filósofos, ora nas bases de um contexto prático da vida cotidiana. Foram vários anos a estudá-los e buscá-los como parte integrante da vida que o constitui autenticamente em suas reflexões; estes homens estavam intimamente ligados aos seus escritos e a vida humana. (...) Na exposição completa da colcha encontramos a impressão do conhecimento adquirido e o aperfeiçoamento, que surgirá no desvelar de cada momento do contexto estrutural trazido à luz na constância dos encontros partilhados. As diferenças entre tempo, relação, circunstância e lugar desenham uma significação na colheita categorial, levando-o ao ponto inicial em ser desvendado e desencoberto no instante de seu acontecimento, junto ao efeito mostrado pelo reviver do fato. (...) Aqui, trabalharemos as quatro linhas basilares da Filosofia Clínica através de quatro personagens; a Historicidade (Finn), que objetiva a interpretação dos fatos, conceitos e eventos, analisando o passado e suas implicações atuais e futuras; a Fenomenologia (Ana) onde é investigado o que aparece, o que se vivencia, o homem não é só a história, mas suas circunstâncias também o são e o fazem ser; o Empismo (Sophia), na composição do ater-se à experiência sensorial, onde nossas idéias provêm das experiências dos sentidos e a Analítica da Linguagem (Glady) na qual pesquisa as relações entre o conceito e o termo, o que se vive e se consegue dizer, onde buscamos a exatidão da relação entre a idéia e a palavra para uma melhor compreensão do que o outro nos quer transmitir em seus significados.”
Baleias de Agosto (1987) - Título Original: The Whales of August , tempo de Duração: 91 minutos; Direção: Lindsay Anderson; Roteiro: David Berry, baseado em peça teatral de David Berry; Música: Alan Price; Fotografia: Mike Fash; com: Bette Davis (Libby Strong); Lillian Gish (Sarah Webber); Vincent Price (Sr. Maranov); Ann Sothern (Tisha Doughty); Harry Carey Jr. (Joshua Brackett); Frank Grimes (Sr. Beckwith); Margaret Laddy (Libby - jovem);Tisha Sterling (Tisha - jovem); Mary Steenburgen (Sarah - jovem); Frank Pitkin (Randall); Mike Bush (Randall - jovem)
O filme Baleias de Agosto retrata o crepúsculo da vida de duas irmãs e sua relação com uma comunidade de idosos. Neste exemplo trabalhamos as categorias utilizadas na Filosofia Clínica: “Assunto, Circunstância, Lugar, Tempo e Relação.
“O panorama desenhado e estruturado em análise neste capítulo, nas vias de montagem de uma compreensão, se reproduz com as histórias de vida deixadas no filme As Baleias de Agosto. As duas irmãs, Libby e Sarah, nos servem para demonstrar exemplificando, como efetuar a leitura e visualização dos detalhes que compuseram para a reconstituição das experiências vivida, como foram emolduradas por elas, as cinco categorias utilizadas pela Filosofia Clínica: assunto (imediato e último), circunstância, lugar, tempo e relação. O Filósofo Clínico ao partilhar estes relatos, forma um conceito estruturado do mundo da outra pessoa: uma representação para si mesmo da representação do outro. (PACKTER, 2000) Através da “colheita categorial” o filósofo conhecerá a situação existencial, a maneira como a pessoa vivencia a si mesmo, sua época, costumes, sociedade. Quando as cinco categorias são mescladas e começam a compor um quadro visual do outro, temos uma primeira localização existencial da pessoa.”
Buscamos elaborar um levantamento das categorias como primeiro condutor de análise via historicidade. Um entendimento dos conceitos filosóficos que fundamentam as Categorias utilizadas na Filosofia Clínica. Uma correlação possível entre a prática e a teoria nos Exames Categorias, representadas no campo prático na fala das personagens do filme e a criação de um envolvimento observacional entre o ato ser partilhante e Filósofo Clínico na Colheita Categorial.
Assim, essa forma de apresentar nosso conhecimento através desta correlação realizada através dos filmes e o princípio teórico da Filosofia Clínica, acreditamos ser possível dar uma maior claridade à terapêutica em sua linguagem constitutiva, abarcando tanto nossa face existencial entre a filosofia mater, que nos trouxe os a priori de nossos conhecimentos, aliando-os e adaptado-os aos moldes e conceitos da clínica filosófica.
Márcio José Andrade da Silva
-INSTITUTO
PACKTER – RS
Centro de Filosofia Clínica – Campinas/SP –
CEFIB – Centro de Filosofia Brasileira – UFRJ
CEUCLAR – Centro Universitário Claretiano – Campinas/SP-