

Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e Com a colaboração de autores convidados.
Arte e Pathos
Mariah de Olivièri
![]() |
Lentamente sinto seu movimento. Angústia, medo, enjôo. Vísceras sendo remexidas e reviradas desordenadamente. Lá vem ela... Pesada, causticante. Seu movimento em minha direção me paralisa. Novamente a vertigem, rumo ao epicentro. Por que esse buraco não tem fundo? Onde estará a lógica para todo esse desconforto? O bicho está aí, pisoteando implacavelmente meu ser. Corta. Corta fundo, fundo. Agora me pergunto: Onde estará a saída? A chave para toda essa dor? Ah!Eureca! Se eu pegar um papel, umas tintas e começar a pintar, encontre minha paz perdida lá na infância, a pureza de sentimentos e sensações. Ou talvez eu me depare com toda a angústia e abandono. Cão sem dono, dormindo no meio do nada. Frio de rachar o coração. Mas, mesmo assim arrisco. Vamos lá. Mãos à obra!
Mariah |
A imaginação faz a ponte entre o que o artista vive, senti e pensa. Ao passear pelo arcabouço do inconsciente, ele resgata imagens adormecidas, que buscam se concretizar através de sua obra.
Na experiência estética, a imaginação manifesta o acordo entre o artista e a natureza, fazendo uma espécie de comunhão, onde o acesso se dá através do sentimento.
O sentimento acolhe o objeto e reúne as imagens de forma singular. O que o artista senti com sua obra é profundo e intenso, pois o objeto está ligado ao seu horizonte interior.
A emoção despertada pela obra é a maneira que ele encontra de vivenciar esse vácuo profundo, sentido a cada dia, impreterivelmente. Assim, o sentimento, na função de conhecimento, alcança, para além da aparência, a expressão. A expressão de exteriorizar uma interioridade, isto é, manifestar o que o objeto é para ele.
Através de um projeto, o artista condiciona o modo de expressão que deseja manifestar; percebe qual o material que fala mais forte à aquele sentimento. Tudo isso posto e reunido, nasce mais uma obra de arte.
No momento em que nos encontramos frente à uma obra, já não importa o que o artista quis comunicar e sim e, sobretudo o que nossos sentidos captam dessa obra.
A obra organiza a experiência humana – transforma a experiência vivida em objeto de conhecimento, através da emoção que provoca. Ela tece um diálogo entre o sentimento e a imaginação.
É preciso sentir o que está por trás de uma obra e como isso nos afeta. Pois uma obra de arte é um profundo comunicar.
É vital, para entender uma obra de arte, a experiência da coisa: o sentimento profundo, visceral, que provoca os sentidos frente a ela, é o parâmetro para avaliá-la.
Sem o sentimento inspirador, não existe criação. Uma obra de arte é o ápice do sensível, e, todo o seu sentido é dado pelo sentimento que a inspirou.
Uma obra de arte não possa ser traduzida, julgada. Pode sim, unicamente, ser sentida. Sentido: particípio passado do verbo sentir.
Assim é que, o significado de uma obra, passa indiscutivelmente pelo sentido, tanto emocional como sensorialmente. A emoção que uma obra desperta é a resposta.
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.