Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.

A ARQUITETÔNICA DA FUNDAMENTAÇÃO DA METAFÍSICA DOS COSTUMES E SUAS PRINCIPAIS CATEGORIAS
Mariah de Olivieri

Não há garantias. Do ponto de vista do medo, ninguém é forte o suficiente. Do ponto de vista do amor, ninguém é necessário.

                   Immanuel Kant

 

Francisco Javier Herrero (prof. de filosofia da UFMG) resume as bases do discurso kantiano na Crítica da Razão Pura, onde afirma serem três os pressupostos fundamentais que levam à compreensão de suas obras morais:

             A distinção da coisa em si e fenômeno.

             A distinção entre conhecer e pensar.

             A distinção e a relação entre o mundo noumenal, mundo dos princípios à priori da razão, e o mundo fenomenal (sensível), que é gerido pela lei da razão.

A fundamentação da ética como metafísica dos costumes (conceito crítico da metafísica como ciência à priori da razão pura), não admite qualquer empirismo, seu método estabelece um procedimento analítico nas duas primeiras secções e  um procedimento sintético na terceira secção.

Boa vontade, dever e respeito são conceitos filosóficos enfaticamente trabalhados nessa secção. Kant inicia seu discurso ético com o conceito da boa vontade. O conceito de boa vontade é ilimitado e imprescindível quando abordamos a questão moral. A boa vontade aponta para o uso prático da razão voltado a uma vontade absolutamente boa em si mesma, enquanto bem supremo.

Segundo Herrero, a boa vontade é determinada por lei própria (a lei da razão), que define e direciona, apontando se os fins são bons ou maus. Nesse momento, podemos inquirir: Quando uma vontade é boa absolutamente?

Essa questão remete-nos ao imperativo categórico de Kant, princípio supremo da moralidade e da estreita relação entre vontade e razão. Só o uso correto e consciente da razão pode apontar com infalibilidade o caminho para a boa vontade.

A seguir temos o dever, que segundo Kant, é a aplicação da ação ao instinto universal para a felicidade. O dever é orientado na máxima que o ordena e o prescinde de todos os objetos da faculdade do desejo; destarte, o dever moral é a necessidade de uma ação por respeito à lei. A lei moral é o princípio objetivo da vontade que, enquanto princípio subjetivo, assume a forma de uma máxima.

Boa vontade, dever, respeito e lei são conceitos que habitam o conhecimento moral comum e, por sua natureza só podem ser atribuídos à razão pura prática. Como esses conceitos se entrelaçam com a metafísica dos costumes?

De acordo com Herrero, Kant discorre sobre o agir por dever, conferindo à ação um valor moral que não pode estar fundamentado por leis empíricas, pois desta maneira o egoísmo encontraria motivação na ação. Todo cidadão deve agir motivado por imposição do dever à vontade (agir por respeito à lei); a origem desta validez está alicerçada na razão pura prática.

A primazia absoluta da lei enquanto constitutiva da idéia da perfeição moral é o propósito da metafísica dos costumes. A perfeição moral é um atributo da vontade livre (regida por princípios segundo a lei) e é a metafísica dos costumes que infere consistência à dignidade. A excelência só pode advir da vontade livre, nos indivíduos dotados de razão.

Nesse ponto de nosso raciocínio surge o imperativo categórico; esse é assim denominado por ser uma regra prática submetida à razão prática, é por assim dizer, mediador entre lei e vontade.Herrero enfatiza que para Kant, a vontade livre do indivíduo racional, passa invariavelmente pela lei moral.

A vontade no indivíduo deve sempre se submeter à lei moral e fazer dela sua máxima, determinando suas ações em respeito aos demais.

Vontade (enquanto imperativo categórico), se autodetermina pela lei, sendo assim autolegisladora. O dever (por uma questão moral), é a síntese da vontade. Assim, a vontade encontra o sentido pleno de liberdade.

Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e  Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.

Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.


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