
Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
A função do
Educador
Mariah de Olivieri
O indivíduo é um animal gregário e qualquer felicidade é melhor e maior se for compartilhada. O prazer compartilhado amplia sua força e revitaliza nossas pulsões de vida.
Dividir é somar na grande conta da existência.
Miguel Arroyo
Miguel G. Arroyo[1], em seu brilhante e comovente texto – Sobre o ofício de mestre, nos convida a uma reflexão acerca do que é ser professor. Arroyo, fala com e sobre os professores, ele traz o magistério para o centro do movimento de renovação educativa, apresentando o professor como sujeito.
Arroyo profere que a melhor maneira de inovar, é dialogar.
Afirma que é necessário repor os mestres em lugar de destaque, o lugar que lhes é de direito; ressalta em sua idéia central que somos gente tratando com gente. Mas afinal, o que isso significa?
Significa que o papel do educador é fundamental na construção da identidade do indivíduo. O aluno que busca no mestre respostas, é, antes de tudo é um ser humano, e, portanto, deve assim ser tratado como tal.
O ato de educar exige segurança, competência profissional, comprometimento entre o que dizemos e o que executamos, entre o que parecemos ser e o que realmente somos; e a generosidade, é uma atitude que exige esforço e moralidade.
O professor tem que participar ativamente da vida cultural da comunidade, ele precisa instigar a inteligência coletiva e incentivar a participação dos alunos nas discussões em sala de aula.
O educador em seu ofício, não deve esquecer da afetividade, pois a relação professor-aluno é fundamental no processo ensino- aprendizagem. Um simples gesto de carinho, um olhar pode significar um fato marcante na vida de um aluno. Estamos assistindo progressivamente à deterioração da afetividade das pessoas, que por sua vez dificulta o contato consigo e com o semelhante.
O professor é um educador, mas também um aprendiz. E é através da troca emocional e intelectual diária que cresce, evolui enquanto ser e vence desafios. Urge que o professor seja o agente transformador, ou pelo menos que incentive esse processo. Transmutar a dor, o infortúnio a falta de conhecimentos em compaixão, fornecendo apoio e compreensão.
O mestre é o espelho. Sugere com sua postura modelos, propostas de vida; a serem seguidas ou não. A função de ensinar, de transmitir saberes, que auxiliam a construção do conhecimento é central no cumprimento desta controvertida profissão.
Educar exige vocação. Compaixão. Civilidade. Respeito à vida de outro ser que confia, entrega sua sede de saber em suas mãos.
É preciso que aprendamos a resignificar nossa existência. Ensinar aquele ser humano à nossa frente que outro mundo é possível.
Um mundo onde cada cidadão possua condições dignas de sobrevivência; que seja adequadamente alimentado para assim poder raciocinar e aprender.
Urge escolher o caminho da conscientização, ser um mestre e não um mero profissional que cumpri displicentemente seu ofício, pois ensinar é amar. O educador necessita amar o aluno como a si mesmo.
Portanto, cada educador deve refletir sobre sua condição: Será capaz de abarcar a totalidade, a grandeza da palavra mestre? A educação como um bem maior, o grande legado. Sem educação não existe autonomia.
[1] Miguel Arroyo é professor aposentado da UFMG e tem diversos livros publicados na área de educação, como por exemplo, Da escola Carente à Escola Possível, Edições Loyola, obra da qual foi organizador, e Ofício de Mestre, da editora Vozes.
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.