
Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
A
missão da Arte- Parte II
Mariah de Olivieri
A
arte nunca é compreendida pelos que
a compreendem como espectadores, pelos que
se identificam confortavelmente.
Adorno
Antes de tudo, urge situar você leitor, em relação ao referencial teórico do qual partimos: Theodor W. Adorno. Esclarecemos desde já, tratar-se apenas de um referencial.
Tentativa essa, que constitui o resultado de várias variáveis a respeito dessa perturbação chamada arte e envolve nosso profundo interesse, resultado de antigas inquietações.
O objetivo da presente investigação é buscar a compreensão, através dos símbolos que se encontram por trás, na dobra do invisível. Pretendemos, outrossim, entender como o ser humano situa-se no controvertido universo da arte e, como ela remete simultaneamente ao cosmos e ao caos.
Possuímos um profundo fascínio pela imagem, em todas as suas nuances. Acreditamos que o indivíduo, no marasmo da racionalidade que o aprisiona, necessita dedicar-se a observar as sutilezas contidas na forma e a escutar seus apelos. Através da arte, temos a chance de emergir do caos profundo e paralisante ao qual nos encontramos.
Preciso é, para entender uma obra de arte, a experiência da coisa: o sentimento profundo e visceral que provocam nossos sentidos frente a uma obra é o parâmetro para avaliá-la. Pois uma obra de arte é um profundo comunicar.
No momento em que nos encontramos frente a uma obra, já não importa o que o artista quis comunicar e sim, sobretudo, o que nossos sentidos captam dela. É preciso sentir o que está por trás da obra e como isso nos afeta.
A obra de arte organiza a experiência humana – transforma a experiência vivida em objeto de conhecimento, através da emoção que provoca. Ela tece um diálogo entre nossa imaginação e sentimento.
A estética filosófica no seu apogeu hegeliano prognosticou o fim da arte. Conduto, a arte não pereceu. A arte não pereceu nem perecerá jamais.
Enquanto o ser humano for provido de humanidade e expressá-la através da arte e outro humano fizer a interpretação a partir de seu íntimo, sempre haverá um diálogo entre o artista e o espectador.
A não ser, é claro, que nos tornemos máquinas!
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.