

Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
A relevância da
filosofia na contemporaneidade
Mariah de Olivieri
Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os ter tentado abrir.0
René Descartes
Somos indivíduos com sede de esclarecimento, sempre em busca de respostas para nossas interrogações e angústias. Seguimos existência afora nessa procura eterna, cientes de que são as inconformidades que nos levam à diante.
Na procura por respostas, a ocupação com o pensar faz toda a diferença, pois, só a partir do exame sobre nossas inquietações, é que poderemos formar uma consciência crítica e lúcida, qualificada em direção ao reto cogitar e ao virtuoso agir.
A pós-modernidade, exige que tenhamos ações efetivas para a elucidação do que nos causa incômodo; nesse sentido, a reflexão filosófica é uma poderosa aliada, que nos conduz ao esclarecimento, auxiliando a transmutar o caos emocional e espiritual em que nos encontramos.
O filósofo e a filosofia, nesse sentido, exercem papel fundamental na construção da identidade dos indivíduos, ávidos por resoluções para suas indagações existenciais.
A vida educa de maneira arbitrária. A filosofia conscientiza propiciando o discernimento necessário para, a partir de uma maior lucidez, melhor conduzirmos nossa existência. Afinal, a filosofia transmuta e multiplica o conhecimento, ela é ação e pensamento, não um mero pensar, ela é busca constante, a eterna procura pela verdade.
A filosofia ensina-nos a refletir sobre as questões de forma contundente, instigando continuamente a renovação de nossos juízos de maneira realista e objetiva, auxiliando-nos no enfrentamento dos desafios hercúleos impostos pela pós-modernidade.
Franklin Leopoldo E. Silva (doutor e professor do departamento de filosofia da Usp) afirma que: o filósofo é aquele que tem o privilégio de falar do eterno a partir do mesmo. O filósofo nos aponta o caminho, porém, cabe-nos a busca por nosso potencial hermenêutico, ou seja, para o resgate da habilidade em interpretarmos nossas idéias, com sabedoria e destreza.
O filósofo é um mestre, mas também um aprendiz. É através da troca emocional e intelectual que ocorre entre filósofo e indivíduo, que estamos aptos a crescer e a evoluir, vencendo os reptos do coloquial.
Contudo, só o saber intelectual, apenas o embasamento filosófico não basta, é preciso que o filósofo tenha o dom da compaixão para com outra essência semelhante à sua, que ele saiba transmitir seu conhecimento com amor, para que, desse modo, possa ocorrer uma troca de saberes, sobretudo, uma troca de essências.
Platão, (filósofo grego, do século IV a. C), dizia que o pensamento é a conversa da alma consigo mesma. Ele orientava os indivíduos a saírem da caverna para encontrar fora dela a luz que iluminava o pensamento, ou seja, a luz da razão.
O filósofo deve retornar à caverna para dar luz aos que estão na ignorância, é dele a tarefa de conduzir aos que tem a sombra e a sede da verdade, aos que possuem a ânsia pelo conhecimento.
A filosofia deve ensinar a pensar não só de forma abstracionista, mas, sobretudo, de maneira prática; só desse modo, os indivíduos estarão aptos em adquirir um posicionamento determinante para as cruciais questões que se apresentam ininterruptamente existência afora.
Nessa direção, a finalidade última da filosofia consiste na contemplação e aclaramento das idéias através do pensamento, na orientação do indivíduo e da sociedade que clama por transformação, de forma justa e ética.
Kierkegaard, (filósofo existencial do século XIX), discorria que, para educar no sentido positivo é preciso ter algo para dar, é preciso amar e ensinar. Pois educar também é uma das formas de amar, uma forma de gerar e de produzir imortalidade.
O filósofo é um educador, sempre foi e eternamente o será, conduzindo outros seres a legitimidade dos fatos, procurando despertar à conciliação dos juízos, a partir da reflexão e do diálogo.
Sobremaneira, o filósofo deve ter uma postura reta, transmitindo somente aquilo em que acredita piamente, ele deve comunicar o conteúdo filosófico com a veracidade da alma.
Certamente, alguns indivíduos poderão achar isso uma utopia. Mas, como viver sem sonhar? Sem acreditar que haverá um amanhã lícito? Que seremos dignos de uma vida justa e serena?
Urge viver a filosofia na prática!
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.