
Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
Dédalo da alma
Mariah de Olivieri
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Similium
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Labirintos são intrincadas construções arquitetônicas que mudam de forma a cada instante, de acordo com o ponto de vista dos que neles se aventuram: são, portanto, construções de caráter instável. O indivíduo que adentra um labirinto nem sempre se dá conta de que encontrar a saída pode ser algo complexo.
A argumentação em relação aos espaços labirínticos tem como ponto de partida o
labirinto mitológico grego, construído para asilar um ser emblemático. Essa
criatura foi um filho bastardo de Pasífae, que era esposa do rei Minos, com um
Touro que fora núncio pela majestade do mar, Poseidon, com o intuito de punir o
rei através do adultério da rainha.
Por conseqüência, Pasífae acabou concebendo a um ser meio homem, meio touro: o
Minotauro. Na medida em que ele crescia, teve que ser aprisionado no labirinto,
uma construção projetada por Dédalo. Tratava-se de um ser híbrido, não só por
sua compleição física, mas como criatura que não pertencia nem ao mundo dos
homens, nem à esfera divina. O Minotauro tinha que se nutrir de púberes, que
eram arremessadas ao labirinto.
Os banquetes à criatura configuravam-se, também, como cerimônias de sacrifício
aos deuses. Teseu, filho de Egeu, rei de Atenas, ofereceu-se para ser lançado ao
labirinto, pois seu desígnio era eliminar o monstro e deliberar as rixas entre
gregos e cretenses. Sua apaixonada, a filha do rei Minos, Ariadne,
forneceu-lhe um novelo de lã para auxiliar a tirá-lo do labirinto. Ao conseguir
seu intento, que era o de exterminar a criatura, Teseu deparou o caminho de
volta, soltando o fio de linha que havia desenrolado do novelo, enquanto
adentrava o labirinto. Podemos proferir que essa é uma sinopse de convergências,
das mais diversas variantes desse mito.
Evocado por esse mito, o labirinto é levado à condição de questão
existencial, um ponto de partida. Isso exige do investigador certo esforço,
certa concentração para que, em cotejo com o labirinto, possa fazer e refazer os
vários percursos, ora confrontando, ora dialogando, ora justapondo sua própria
existência e perpetrando através desse olhar, a recontextualização de sua
intrincada singularidade, em sintonia com seu universo labiríntico.
Existem dois tipos de labirinto: os unicursórios e os multicursórios.
O modelo unicursório é constituído por um único caminho que leva ao centro,
enquanto que o multicursório possui diversos caminhos e, por tal, envolvem
escolhas. O modelo multicursório requer o uso da intuição em oposição ao
unicursório que clama racionalidade. Podemos traçar um paralelo do modelo
multicursório com a própria existência, onde inúmeros caminhos são ofertados a
cada momento, exigindo do caminhante coerência interna com os ditames de
sua alma.
Se estabelecermos uma analogia, podemos proferir que o fio de Ariadne é
propiciado pela existência ao caminhante, através das múltiplas proposições dos
desígnios do caminho.
Ao seguir pelo labirinto da existência, com suas inconstantes nuances , há
sempre uma nova chance, onde a especificidade pode ser redefinida a cada passo,
com conseqüentes reavaliações e tomada de decisões.
O fio condutor indica o caminho, porém cabe ao caminhante, através de uma via
aberta a escolha, levando-o assim ao próximo passo na trajetória de seu
ciclo existencial.
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.