
Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
Funcionalismo
Mariah de Olivieri
A mente pode observar todos os fenômenos excepto os seus próprios… O órgão observador e o órgão observado são idênticos, e a sua acção não pode ser pura e natural. Para observar, o nosso intelecto deve fazer uma pausa em sua actividade; contudo, o que se quer observar é precisamente essa actividade. Se não se puder fazer essa pausa, não se pode observar; se se conseguir fazê-la, nada há a observar. Os resultados desses métodos são proporcionais ao seu carácter absurdo.
Comte
A psicologia funcional se interessa pela mente e seu funcionamento e é usada na adaptação do organismo humano ao ambiente. O funcionalismo surgiu na metade da década de 1850, quando começou formalmente e desenvolveu-se nos Estados Unidos, sendo o primeiro sistema exclusivamente americano de psicologia. Foi um protesto deliberado contra a psicologia de Wundt e o estruturalismo de Titchener. Wilhelm Maximilian Wundt, foi médico, filósofo e psicólogo alemão e é considerado um dos fundadores da moderna psicologia experimental.
Edward Bradford Titchener era aluno de Wundt e alterou seu sistema, embora afirmasse ser seu fiel seguidor. Ele propôs uma nova abordagem que designou estruturalismo e afirmou que esta apresentava a forma de psicologia postulada por Wundt, contudo, os dois sistemas são diferentes e o rótulo de estruturalismo só pode ser aplicado à concepção de Titchener. Assim, o estruturalismo foi estabelecido por Titchener como a primeira escola de pensamento no campo da Psicologia.
Os funcionalistas modificaram a ortodoxia existente e não se preocuparam em substituí-la. O funcionalismo procura atingir o aspecto consciente da mente através da orientação objetiva e direcionada. Não houve uma única psicologia funcional, como ocorreu com a psicologia estruturalista, mas sim várias psicologias funcionais que manifestavam o interesse pela consciência. Assim se desenvolveu a psicologia aplicada.
A atual psicologia americana é funcionalista em termos de orientação e atitude, dando ênfase a testes, aprendizagem, percepção e em outros processos funcionais que auxiliam a adaptação e o ajustamento do indivíduo ao meio ambiente. Seu fundador foi John Dewey, que era filósofo, psicólogo e educador.
O conceito de arco reflexo foi o ponto de partida da psicologia funcional. Dewey proferia que o reflexo forma mais um circuito do que um arco. A resposta altera a percepção do estímulo e devem ser considerados como unidade e não sensações e respostas individuais.
Desse modo, o comportamento envolvido numa resposta reflexa não pode ser significativamente reduzido à elementos sensórios-motores básicos. Pois quando reduzimos o comportamento a uma resposta artificial, o comportamento perde todo o sentido, restando apenas as abstrações da mente.
O comportamento não é uma construção científica artificial, é significativo para o organismo adaptar-se ao ambiente. O estudo adequado da Psicologia para Dewey é o organismo total, funcionando em seu ambiente.
O funcionalismo contribuiu para desbancar as restrições do estruturalismo e estimulou o desenvolvimento de pesquisas experimentais na aprendizagem humana, animal, nos testes mentais, na psicologia genética e na psicologia da educação.
O funcionalismo cataloga, classifica e atomiza o indivíduo. Esse método possibilitou um maior conhecimento do funcionamento do ser humano, seus processos mentais e seu desenvolvimento enquanto ser racional, auxiliando o desenvolvimento científico da compreensão do funcionamento do indivíduo.
Entretanto, o funcionalismo não contribuiu para a transcendência, pois que ele relega a consciência a uma não existência, independente ao que concernem os atos do indivíduo.
Se o consciente não é considerado, o que dizer do inconsciente, que é de fato, de onde partem nossos reais e autênticos impulsos?
Sabemos que através da emoção despertada por outro ser, transcendemos junto, pois quando dois indivíduos saem de si, de suas individualidades em direção ao outro, a emoção despertada nesse ato possibilita que ocorra a transcendência.
Somos indivíduos adaptáveis, com funções e capacidade de aprendizagem. Em contrapartida, por possuirmos emoção, somos dotados de atitudes em nada científicas, previsíveis e domesticáveis.
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.