Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.

IMANUEL KANT
Mariah de Olivieri

Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre novas e crescentes, quanto mais freqüentemente e com maior assiduidade delas se ocupa a reflexão: o céu estrelado sobre mim e a lei moral acima de mim.

Kant

Jamais um sistema filosófico dominou tanto o pensamento de uma época como o de Imanuel Kant no século XIX. Após quase sessenta anos de silencioso e solitário desenvolvimento, o misterioso e discreto escocês de Köenigsberg, despertou o mundo de seu sono dogmático, com a célebre e magnífica obra Crítica da Razão Pura e, desde então, até os dias atuais, a filosofia crítica conservou-se dominantemente no seio especulativo europeu.

Destarte, para compreender Kant e assimilar suas idéias, urge termos paciência e perseverança, pois não é  fato que se consiga de imediato. Necessário é aproximar-se de suas idéias com precaução, sabedoria e certo distanciamento, para que deixemo-nos envolver de forma lúcida e sutil, por esse que é considerado o mais árduo dos filósofos. A recompensa, será certamente apropriar-se de seu segredo.

O sistema kantiano é consistente, profundo, e seus  teoremas, são até hoje, os axiomas de toda a maturidade filosófica.

Kant possuía uma linha de investigação racionalista e passou sua existência investigando o universo espiritual do indivíduo, à procura de seus fundamentos últimos, necessários e universais.

O universo espiritual, submetido por Kant ao crivo da análise crítica, compunha-se de elementos variados e contraditórios; apesar das dificuldades, esses elementos podem ser sintetizados em torno de duas grandes questões: A primeira diz respeito ao conhecimento, suas possibilidades e suas esferas de aplicação. A segunda versa sobre o problema da ação humana, ou seja, o problema moral. É sobre esse tema que trataremos a seguir.

A questão que surge é de saber, não o que o indivíduo conhece ou pode conhecer (a questão do conhecimento) a respeito do mundo e da realidade última, e sim, o que deve fazer, como deve agir em relação aos seus semelhantes e como proceder para obter a felicidade e alcançar o bem supremo. Esta área de reflexão filosófica e sua oposição à razão apenas cognitiva, foram reveladas a Kant através das obras de Rousseau (pensador do séc.XVIII), que formulou uma filosofia de liberdade, defendendo a autonomia e a primazia do sentimento sobre a razão lógica.

Assim Kant, embora vivendo na distante Königsberg, longe de Paris e dos grandes centros, sempre teve  plena consciência dos problemas sociais e políticos de sua época. Foi favorável à Revolução Francesa, a qual  via  não apenas como um instrumento de transformação econômica, social e política, mas sobretudo, como um problema social.

Desde os Gregos, a ética da tradição se funda na ordem natural, cósmica e humana. Kant instaurou uma nova moral, estabelecendo um novo e revolucionário fundamento: a autonomia da vontade e a liberdade do agir. Na Crítica da Razão Prática, Kant afiança que a lei moral provém da idéia de liberdade voltada à ação (a questão do agir moral), a vontade é compreendida por ele como a responsável por todo o agir moral. Através dela, o indivíduo se torna senhor de si, independente de determinações empíricas, sendo o legislador absoluto e universal, sujeitando-se à sua própria legislação, somente a ela.

Kant enfatiza que a lei moral, impõe ao indivíduo agir conforme o dever, de acordo com as máximas universalizáveis e  que só pode ser a lei de uma vontade boa e liberta. Tal lei é imperativa, prescrevendo a orientação fundamental para a vida humana:

Age de tal modo que  a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal (Crítica da Razão Prática, I, 7).

Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e  Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.

Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.


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