Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.

Método Filosófico
Mariah de Olivieri

Razões

Não vim a que me destino.

Sendo só a ordem das letras genéticas o que nos aparta,

Como sobreviver à saudade de todo o resto?

Como arte de exílio, me falta um feito.

Fran

O método seja na filosofia ou em qualquer outro campo, tem por finalidade formular e tentar afirmações, previsões e explicações. No caso específico da filosofia, é usado para descobrir os meios de chegar a uma reflexão mais precisa e eficaz sobre o eu, o outro e a natureza.

A base de todos os métodos é a confiança na capacidade da razão estar apta a conhecer a realidade, sob condição de seguir o caminho indicado.

A filosofia exige a justificação dos juízos a respeito do objeto da razão, onde a evidência desempenha essa tarefa. O primeiro impulso à formulação de um método é a intuição.

Sócrates usa o método que se divide em duas partes: A ironia e a maiêutica[1]; Sócrates procurou a definição do conceito. Platão aperfeiçoou a maiêutica e transformou em dialética. A influência do método platônico-aristotélico foi grande e possibilitou o desenvolvimento da discussão, da argumentação e do pensamento discursivo.

Descartes buscou na própria intuição intelectual o material necessário para desenvolver seu método. A existência do método foi questionada como tal, ocorreu daí a descoberta da subjetividade, que nada mais é que a dúvida cartesiana. Dessa corrente de pensamento derivaram duas correntes antagônicas: o racionalismo e o empirismo. A partir disso surge o cristicismo[2], o positivismo e o neopositivismo.

O caminho da dúvida é para Descartes a base de seu método filosófico. Nesse caso a dúvida é sistemática e geral, mas não cética, pois o projeto de Descartes não visa fechar-se dentro da dúvida e sim utiliza-la como instrumento para superar a própria dúvida.

No discurso sobre o método deve se evitar a precipitação e fazer a prevenção; deve-se dividir cada dificuldade em tantas partes quantas lhe for possível. Deve-se ainda ordenar os pensamentos, fazendo previsões, enumerações exatas e revisões gerais.

Descartes afiança que o indivíduo, ao seguir essas regras fáceis e certas, nunca tomará o falso por verdadeiro; e que ele chegará (sem despender esforço inutilmente), ao verdadeiro conhecimento de tudo aquilo que se encontra ao seu alcance; ou seja, ao alcance da mente, pois: não existe nada tão distante que não seja alcançado, nem tão escondido que não seja descoberto.

[1] Criada por Sócrates no século IV a.C., a maiêutica é o momento do "parto" intelectual da procura da verdade no interior do Homem.
A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum - "conhece-te a ti mesmo" - põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude.
A maiêutica é um método que consiste em "parir" idéias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro dum contexto (assunto).

[2] Criticismo tem origem no alemão Kritizismus, representa em Filosofia a posição metodológica própria do Kantismo. Caracteriza-se por considerar que a análise crítica da possibilidade, da origem, do valor, das leis e dos limites do Conhecimento racional constitui-se no ponto de partida da reflexão filosófica. Doutrina filosófica que tem como objeto o processo pelo qual se estrutura o conhecimento. Estabelecida pelo filósofo alemão Immanuel Kant, a partir das críticas ao empirismo e ao racionalismo.

Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e  Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.

Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.


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