Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.

Reflexão Filosófica
Mariah de Olivieri

Umas vezes sinto sono, mas quase nunca sonho. Outras vezes realidade, mas quase sempre engano. Umas vezes aspiro ao mito, outras vezes entendo o fato. Umas vezes rosa, outras machado.

                                                       Rogério de Almeida

 

         Nem pense em encontrar no aqui exposto, a precisão cirúrgica dos deuses doentes da modernidade, que passavam os seus extensos dias ceifando sentidos, separando as línguas clássicas das bárbaras e situando as boas e más palavras.

Primeiro, que qualquer tipo de conceito que possa traduzir o desconforto, não serve ao nosso propósito. Não é fácil encontrarmo-nos em um amontoado de conceitos que não se compreende e constatar que, sobre os mesmos, muito pouco se sabe.

Inúmeras vezes, nossa desgraça se torna nossa redenção. Não sabemos exatamente, nem como nem por que. A inquietação que mobiliza, também conduz à construção filosófica e a expressão dos martírios que nos consomem, nessa existência errante e agoniada. Em se tratando de filosofia, a máxima: Conhece-te a ti mesmo, é a ação humanitária de amor à existência, que traduz a liberdade através do domínio de si. Distinguir o verdadeiro do falso, evitando a tragédia da vida que ocorre quando se tem medo de ser um indivíduo humano autêntico.

Desconstruir imagens, colocando um quinhão de filosofia em nosso algoritmo é o desejado. Expressar a profunda aflição que remexe nossas entranhas, numa tentativa desesperada de traçar e ordenar idéias, dando vida aos fantasmas que habitam assombrando nossas noites insones é o acalentado, pois  a inquietação que imobiliza é a mesma matéria que impulsiona. A alma necessita de harmonia, poderosa força e vontade inquebrantável para dominar os entraves da existência e vivenciar o presente.

 O acendimento versa em dar luz à essas partes obscuras, onde o conhecimento cego do infortúnio não incumbi mais no cotidiano e nem ajuíza a aflição que por vêzes nos assola.

A cogitação filosófica é a porta para que possamos emergir desse caos mental, denso e sufocante. Examinar conceitos, rever pareceres, parir a inspiração contida e trancada dentro d’alma, dar voz à lucidez. Urge que juntemos os cacos e que nos reconstruamos, com astúcia e alguma filosofia.

Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e  Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.

Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.


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