Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.

Repressão da criatividade
Mariah de Olivieri

“Sempre há alguma coisa que falta, e isso atormenta.”

Camile Claudel

Podemos inferir com propriedade que, como capacidade humana, a criatividade pode ser desenvolvida ou reprimida.

A repressão da criatividade se realiza em vários níveis: educacionais, sociais e políticos. Assim como a repressão sexual tem catastróficas conseqüências no convívio social, através da transformação de Eros em Tanatos, a repressão dos impulsos inatos da função criativa tem também conseqüências gravíssimas para o indivíduo e para a sociedade, “produzindo” sujeitos cada vez mais enfermos e infelizes existencialmente. A obstrução do impulso criador provoca vários efeitos:

O indivíduo fica como que paralisado. Está impedido de expressar o que sente. Move-se apenas a partir de padrões impostos socialmente. Neste ponto, Japers adverte: “Terrível é o deserto desolado de não ser verdadeiro consigo mesmo.” Pois a não expressão das emoções é um atentado à função global de viver.

A repressão da criatividade impede o fluxo organizador do sistema vivente; ao quebrar-se, a conexão em feedback com o mundo, traz como conseqüência grave perturbação no sistema que auto-regula o organismo humano.

Não se constitui uma ousadia afirmar que algumas enfermidades psicossomáticas, tais como a Angústia, possuem como componente etiológico, a obstrução da expressão dos impulsos criativos.

A expressão da criatividade é a versão pessoal do gênio da espécie, é o modo de relação entre identidade e alteridade. A função criadora é intrínseca à existência humana. Quanto mais o indivíduo for estimulado a expressar os conteúdos de seu inconsciente através da manifestação artística, tanto melhor serão suas respostas emocionais.

A repressão da criatividade, portanto, tem o efeito de despersonalizar o indivíduo. É como se o ser sofresse um apagamento, diminuindo assim sua qualidade de vida – a glória que é viver.

Por essa razão, a arte irrompe freqüentemente como uma ação convulsiva, inconsciente e incontrolável, e não apenas como uma nostalgia de integração do homem com sua obra, senão como um gesto desesperado de sobrevivência, (Rolando Toro).

Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e  Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.

Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.


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