
Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
Suplantando Fronteiras
Mariah de Olivieri
|
Há um tempo em que é preciso abandonar as
roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos
caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós
mesmos. |
Transcender é ir
além, ultrapassar limites. É a capacidade e o desejo de romper limitações, de
superar e violar os interditos.
É o desejo e a capacidade do ser humano para transcender a si mesmo, ou seja,
sair de seu estado atual para buscar algo novo. Podemos exemplificar a atitude
de Adão e Eva no jardim do Éden como expressão de transcendência, de sua
transformação em ser humano. Interessa-nos apontar a transcendência como uma
experiência mais sentimental – o apaixonar-se, o êxtase como uma experiência, o
deslumbramento diante de uma realidade nova, a admiração, o espanto.
É ceder, se deixar aventurar à outra singularidade. Penetrar e se deixar
penetrar. Ir ao encontro do desconhecido rumo, do maravilhoso milagre que habita
cada ser. É interligar-se, envolver-se. Despir-se de máscaras e preconceitos. É
expressar o melhor de si com autenticidade. É causar emoção, sentindo no íntimo
a absorção do milagre da transformação, que ocorre a partir desse belo instante.
Não é possível segurar ou prender as emoções e os pensamentos do ser humano.
Rompemos tudo, ninguém nos aprisiona.
O ser humano é um ser desejante e ilimitado. Podemos inquirir: quem preenche
esse vazio profundo dentro do indivíduo? Qual é o objeto adequado ao desejo
infinito, que satisfaz e traz descanso? Por que desejamos o infinito e só
encontramos o finito? Queremos o ilimitado, a totalidade, e só encontramos
fragmentos? Aqui se revela o ser humano como um ser protestante e insatisfeito.
Quando Nietzsche anuncia “a morte de Deus”, ele fala do Deus que deve ser
eliminado, pois não passa de fantasia ilusória da mente humana; é o Deus
inventado, o Deus da metafísica, o Deus que não é vivo. Deus só tem sentido
existencial se for resposta à busca radical do indivíduo por luz e caminho a
partir da experiência de escuridão e de errância.
Somos seres essencialmente transcendentes. Não nos acomodamos com a realidade.
Seguimos em busca de evolução, de satisfazer nossos desejos. Possuímos a
capacidade para transcender a nós mesmos, ou seja, de sair do estado atual para
buscar algo novo.
Transcender é ir à busca de outro ser para envolver-se em si mesmo. É o processo
evolutivo da existência, é relacionar-se VERDADEIRAMENTE com outra essência.
Quando duas singularidades se permitem uma incidência dessa natureza, nenhuma
das duas será mais a mesma, visto que invariavelmente, ocorrerão transmutações
positivas e desenvolvimento interno. Desse modo, o encontro transcendental
permanecerá vivo dentro de cada individualidade, no mais profundo de cada ser,
como momento raro e eterno.
Mariah de Olivieri
-
É Bacharel em Comunicação
Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais.
Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.