
Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
Teoria estética
Mariah de Olivieri
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A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam. |
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Auguste Rodin |
Uma mancha, um rabisco, uma figura disforme, pode despertar em nosso íntimo profundas emoções. Quando nosso olhar recai sobre alguma forma de expressão artística, nosso ser se prontifica a decodificar essa imagem, despertando sensações por vezes profundamente sublimes ou até mesmo desagradáveis.
Ana Maria Albani de Carvalho (doutora em artes visuais e professora no Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Ufrgs), relata que a palavra artista[1] obteve legitimidade durante o século XVIII, quando era utilizada para designar os pintores e escultores que haviam transposto a fronteira do artesanal e assumido a posição de autores, criadores de suas obras.
No cenário estético constituído a partir das vanguardas artísticas do início do século XX até o pós-guerra, artista era aquele capaz de desenvolver seu trabalho sem ter como referência inicial uma resposta segura e consensual para o que pudesse ser definido como Arte. O processo científico é que possibilita nesta o surgimento do campo estético. A geração deste espaço é conseqüência do conhecimento apreendido ao longo do caminho; tanto mais ampla será esta base, que servirá como fundamento para a criação, quanto mais diversificada e conseqüente for à aplicação neste princípio.
O artista imerge em si mesmo para achar o mais adequado modo de almejar o bem do outro. Desde sua fundação, a arte precipita a dor alheia, e seu merecimento está na comunicação dessa essência como um valor de vida. O exercício artístico só ocorre através de uma ação humana.
Uma obra de arte é um diálogo entre nós e o artista. Seu fruto remete às profundezas de nosso inconsciente. Nosso corpo se expande ou se retesa, relembrando sensações adormecidas na caverna da alma.
Diretamente vinculado ao valor dado à criação e à autoria da obra de arte nas sociedades ocidentais, o emprego da palavra artista abarca um papel, associado a determinadas qualidades, difíceis por si só, de definir em termos objetivos, certas características como: talento, gosto, originalidade, expressividade, coerência e persistência.
O artista deve estabelecer critérios próprios para deliberar o que considera uma obra de arte com qualidade estética, merecedora de notoriedade e consagração.
E o espectador leigo, como julgará uma obra de arte? Deveríamos possuir critérios racionais para tal façanha, mas como sentir adequadamente uma obra de arte? Tratando-se de arte, sabemos que nada é matematicamente previsível, já que ela, e conseqüentemente a produção artística, trabalham com elementos profundamente recalcados no calabouço do inconsciente.
A realidade, para o artista é aquilo que ele expressou através de sua obra, onde a representação do objeto é uma representação do sujeito, de seu íntimo.
A obra de arte uma vez concluída, não esconde as marcas do processo pelo qual o artista passou para corporificar sua criação, ao revés: explicita a experiência transcorrida durante sua realização. A obra de arte extrai leveza e sensualidade da matéria bruta, na qual a formosura crua do material se revela.
Então, para o olho que vê, qual será o significado daquela imagem?
A obra de arte pode muitas vezes ser associada a uma concepção humanista, por seu caráter expressivo, apostando num diálogo entre a subjetividade do artista - e a do espectador, representando um instante de elevação da condição humana.
A busca incansável por uma resposta adequada talvez faça calar a voz que não cala nem dá trégua. Será que a nossa mente mente, e nosso olho nos engana?
O artista anseia que sua criação se apresente como um objeto permanente, atemporal, independente do local em que está exposta, que seja digna de ser denominada obra, aberta a novos olhares, diálogos, debates e inquietações que assegurem sua legitimidade.
A forma é o conteúdo que se sedimenta. Theodor Adorno
[1] A palavra Artista foi destacada na Idade Média (século XVI) e vincula-se à valoração do criar e da autoria nas sociedades ocidentais e está diretamente associada à obra.
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.