

Filosofia - Colaboradores
(coordenado Por Virgínia Fulber)
e com a colaboração de autores convidados.
Transdiciplinaridade na prática
Mariah de Olivieri
Enredado nas malhas do absurdo eu ficava pensando o que é viver assim e o que é viver diferente.
Paulo de tarso (Rogério de Almeida)
A riqueza da dimensão humana é mais viva e real do que podemos supor, afinal, somos indivíduos dotados de imensas habilidades e infinitas capacidades. Porém, em função da robotização que vivenciamos em nosso cotidiano, inúmeras vezes esquecemos de nossos poderes, relegando a posteriori nossas especificidades e seus reflexos em nossa condição humana.
Na contemporaneidade nossa participação e visão de orbe têm sido coagidas a sofrer alargamentos, impulsionadas pelo desenvolvimento recente das ciências, que relativiza conceitos e preconceitos, situados em conseqüência de um conhecimento do mundo aquilatado como “absoluto e verdadeiro”.
Um dos desafios que enfrentamos na atualidade é a capacidade de sabermos explorar nossa aptidão em reavaliar nossos paradigmas existenciais e transmutarmos nossos conceitos, pois o modelo cartesiano, lógico, não mais condiz com nossa realidade, faz-se necessário trilhar em novas direções, realizando a incumbência de interpretarmos o mundo através de um olhar singular, para podermos transformá-lo na prática.
Ítalo Calvino proferiu que: as equações do campo gravitacional que relacionam a curvatura do espaço á distribuição da matéria já estão começando a fazer parte do raciocínio comum.
Nesse sentido, a transdisciplinaridade assume na contemporaneidade um papel definitivo, introduzindo a configuração de um inédito e fundamental fluxo de idéias e, sobretudo, uma maneira particular de pensá-las, onde o objetivo é a compreensão do mundo presente.
A transdisciplinaridade deu à luz a uma nova lógica, ou melhor, a antigas lógicas esquecidas; tornando possível o diálogo denso entre a ciência e a tradição, e impulsionando a construção de uma inédita abordagem científica e cultural, alicerçada, sobretudo, em uma nova concepção de conhecimento.
A partir dessa nova postura, somos impulsionados a alterar nossa maneira de ajuizar nossos referenciais e expandimos a tendência a concretude que nos habita.
Ao buscarmos novos paradigmas e púberes horizontes, o modelo cartesiano que nos acompanhou por um longo período, cede forçosamente seu espaço para a transdisciplinaridade. A maneira trans abarca e transcende o modelo arcaico de conhecimento, reconhecendo o desconhecido e inesgotável movimento que estão presentes em nosso cotidiano; é uma forma de produzir conhecimento que adita à dimensão lógica, doses consistentes de valores universais, trata-se de um saber comprometido com o respeito pela diversidade intrínseca à humanidade.
O modo trans é a própria aventura do espírito inquieto, um modo de conhecimento que busca encontrar pontos de interseção e vetores comuns que encaminhem satisfatoriamente a incorporação desse novo modelo à nossa existência, que nos permite absorver essa nova cultura e nos proporciona um alargamento da visão de mundo e novas atitudes no cotidiano; é um modo singular de ser diante do saber, uma arte no sentido da capacidade de proferir; que busca encontrar pontos de interseção e um vetor comum, que nos encaminhe satisfatoriamente à incorporação desse modelo em nossa existência.
A maneira transdisciplinar de existir acolhe igualmente nossas diferentes inteligências e nos possibilita a invenção um modo de existir mais harmônico, buscando pontos de vista interativos, pesquisando espaços de pensamento, sempre respeitando as diferenças. É o pensamento sistêmico rumo à transformação do fato, onde a efetivação do conhecimento se dá como transformador da realidade.
A ética constitui-se na fundação, é a pedra angular do modo trans, realizando a transição indispensável entre a construção intelectual humana e a realidade, amparando os três pilares conceituais da transdisciplinaridade: os níveis de realidade, a lógica do terceiro incluído, a complexidade; esses níveis deliberam sua metodologia; pois sem um procedimento adequado, a transdisciplinaridade constitui-se em uma proposta estéril.
Ao vivenciarmos a transdisciplinaridade, somos motivados por uma atitude transdisciplinar, e imbuídos desse espírito, podemos apoiar-nos em diversas atividades: arte, poesia, filosofia, pensamento simbólico, ciência e tradição; todas essas, inseridas em suas próprias multiplicidades e diversidades.
Essa maneira trans de enxergar o mundo provoca nos indivíduos o Taumas, (termo grego que significa espanto, admiração, perplexidade), desaguando em novas liberdades do espírito graças a estudos trans-históricos, trans-religiosos e a originais conceitos como trans-nacionalidade e novas práticas trans-politicas, implantando uma renovação no modo de produzir conhecimento e, conseqüentemente, em nossa existência, gerando densos impactos em nossa realidade cotidiana, onde o modos vivendi origina o modo de vida e vice-versa.
O desafio do modo transdisciplinar de existir é gerar uma civilização em escala planetária, que por força do dialogo intercultural, se abra para a singularidade de cada indivíduo e para a totalidade do ser. Urge transmutarmos nossas posturas, enquanto ainda nos resta tempo.
Para educar no sentido positivo é preciso ter algo para dar, é preciso amar e ensinar.
Pois educar também é uma das formas de amar, uma forma de gerar e de produzir imortalidade.
Kierkegaard
Mariah de Olivieri - É Bacharel em Comunicação Social, Mestre em Filosofia e Terapeuta-Especialista em Essências Florais. Mantém uma coluna mensal no Jornal Varanda Cultural – Porto Alegre.
Participa do Núcleo de Estudo, Pesquisa e extensão em Educação Estética Onírica – NUPEEO na FURG, em Rio Grande , trabalhando a linha de pesquisa Educação estética onírica no despertar dos sonhadores.