

Imaginário - Textos
A Princesa de Papel
Madalena
Barranco
Em um final de dia como hoje não dá para brincar de esconde-esconde fora do castelo! O céu está nublado e o perfume de gerânios de outono que a brisa traz da varanda me faz sentir saudade de você, meu querido príncipe. Da última vez que nos encontramos, você me esqueceu na página cinqüenta, quando a mocinha foi raptada pelos vilãos e o herói fazia de tudo para descobrir onde ela estava.
Espero por você na biblioteca desde que o verão se foi. Venha me encontrar logo, por favor, antes que os vilãos acabem comigo... Nossa prosa não pode acabar agora! Volte amiguinho, e me ponha no seu colo com carinho! Depois, olhe bem para mim com seus óculos de hastes azuis e se esqueça do mundo para concentrar-se naquilo que eu tenho a lhe dizer. Eu sei que você vai se surpreender quando virar mais uma página do meu livro e descobrir que o nosso “era uma vez” ainda nem começou. Pois a biblioteca somente é fantástica, porque é do tamanho do nosso reino! Se você não vier logo me ler e continuar me relegando ao abandono de uma prateleira empoeirada, os vilãos: dom Ratão e dona Traça, roerão sem piedade minha história, que poderia vir a ser a nossa...
Quero ser sua princesa, quando você estiver na varanda de flores lendo meus olhos de fundo branco com letras negras grafadas em minha íris; quero estar em sua cabeceira antes de adormecer contando-lhe inúmeras histórias; quero ensinar-lhe meus segredos e viajar com você, meu príncipe, aonde somente eu posso lhe levar: ao mundo da fantasia. Agora você já conhece melhor meu segredo e sabe que me chamo Lívria, filha do Reino dos Livros de Papel Livres.
Madalena Barranco
Registro na FBN/EDA.
Comentários das criaturas fantásticas:
Dona Fantasia: eu conheço essa princesa! Ela usa um vestido branco com várias páginas rendadas, com uma capa encadernada em azul-céu e às vezes, encadernada em legítimo cor-de-rosa. É muito corajosa e inteligente, pois ela defende os livros com nobreza e conta lindas histórias para as pessoas, incentivando-as a manter funcionando a fábrica de sonhos de cada uma. Ela me disse que aparecerá no final deste texto.
Bruxauva: e eu, que não sou bruxinha por acaso, conheço o príncipe – hehehe! Aquele que usa óculos ou não, mas que lê minhas aventuras! Ele me chama de: “sua vilã malvada”, “sua bruxa”! Mal sabe ele, que ao me chamar dessa forma, o leitor me dá ainda mais vida... E eu tomo o lugar da princesa! Mas... Oh, é melhor que eu me cale, porque está chegando a tal princesa.
Gnomo Verde: oh, sim! Lá vem ela! Atenção pessoal do mundo da fantasia: preparem-se para recebê-la com todo o carinho e vistam suas capas de gala. Afinal, ela nos recebeu neste Espaço ECOS e permitiu que vivêssemos o Imaginário neste cantinho de luz rosada. Ah, como ela é linda! Estou ficando esverdeado de emoção...
Naquele momento, as telas acesas de todos os computadores que estavam sintonizados no Espaço ECOS brilharam de forma especial quando ela apareceu. Vestida de branco com capas e contracapas cor-de-rosa, piscou meio sem jeito os olhinhos adocicados e cumprimentou as criaturas fantásticas abrindo-lhes as páginas dos livros, para que nunca mais se fechassem para todas as pessoas. Ela disse em um discurso improvisado, que todos os leitores para ela eram verdadeiros príncipes quando se dispunham a receber dos livros a dádiva da cultura.
Bruxauva: eu não sou cor-de-rosa, mas todo mundo gosta de mim não gostando... E vocês se esqueceram de algo muito importante: se as pessoas lêem e cuidam dos livros, a dona Traça e dom Ratão morrem de fome...
Magalena: quieta, bruxinha enxerida. Deixe a Vaninha falar. Ela sempre tem algo bom para dizer às pessoas.
Vaninha: ah, Magalena, deixe a bruxinha falar! Aqui no Portal Vânia Diniz / Espaço Ecos, todos que apóiam a “literatura como meio de inclusão social” têm os canais abertos para colocar em ação a magia das palavras!
Dizendo aquilo, Vaninha, que no mundo da fantasia se apresentava como uma pessoa literalmente cor-de-rosa reverberando a verdadeira luz do amor fraterno, deu um tímido sorriso prometendo voltar logo. Ela disse que tinha pressa, pois ainda tinha muitos canais do Espaço ECOS para visitar, inclusive na parte deste Canal Imaginário para saudar os queridos escritores convidados pela Magalena. Quem não se conformou foi a dona bruxa que queria toda a atenção da Vaninha para ela...
Recadinho da Magalena: visitem os escritores convidados (colaboradores) do Canal Imaginário e conheçam suas fantásticas histórias.
Madalena Barranco, 41 anos, escritora paulistana, escreve prosa & poesia, temperadas com fantasia. Dedica sua produção aos leitores dos 8 aos 108 anos, pela manutenção da fantasia na literatura.