

Imaginário - Textos
A LENDA DAS FLORES DE FOGO
Madalena
Barranco
A humilde coroa de ramos verdes entrelaçados e margaridinhas brancas com pétalas
de delicada luminosidade pousou suavemente na cabeça de Marian. Ela sentiu o
Amor de Gaia pelos quatro seres que ali estavam. O que lhe deu a coroa era verde
e lembrava uma secular e sábia árvore. Os outros seres presentes eram:
avermelhado inconstante, azul ondulado e aéreo transparente, junto com outros
amigos que também estavam lá que Marian sentiu sem ver. Agora, Marian teria seus
amados elementais com Ela pelo serviço da instalação definitiva da Luz no
planeta azul. Seria o prenúncio do fim de uma aventura? Ou o começo da saga mais
incondicional de Amor que já fora contada na Via Láctea?
Marian quis assim, quando num tempo perdido na memória, aceitou pousar neste
orbe magnífico e se sentiu amada por suas flores mais simples, as margaridas de
Gaia. Ela não imaginava as emoções que vivenciaria... Certo dia, Marian
conquistou um tigre, e sorriu quando viu que as “feras” também possuíam flores
em seus corações. Ela viveu atemporalmente até alcançar a última parte de sua
aventura no planeta azul: seria agora um dos corações floridos, como se fosse um
arco-íris, a trabalhar com seus amados elementais.
O Fogo, que havia visitado Marian um dia antes da coroação pelas flores, surgira
tremeluzente, fazendo jus à sua fama de o mais esquentado de todos. Ele queria
se certificar de que era realmente amado. O Fogo, que não sabia mais o que era
sorrir, agora, reformulava sua face pela ternura refletida na alma agradecida de
Marian. Ela estava lá, em meio aos elementos e seus espíritos transbordando de
alegria pela oportunidade que lhe era concedida de estar junto àqueles seres,
tão maltratados há séculos pela humanidade, que lhe desprezara as flores e cada
folha sentida de sua natureza terrena. Marian manteria seu cardíaco aberto a
perder de vista quando eles fossem aos confins de Mãe Gaia. Unidos num turbilhão
de cores, reergueriam as florestas perdidas, replantariam as flores em cada
olhar, fariam do vento um uivo de paz com o perfume de cada folha verde
recuperada, mergulhariam na doçura das águas salgadas como se estivessem nadando
em lágrimas de alegria, e se deixariam aquecer numa noite fria, pela união do
fogo de todas as estrelas, que agora brilhavam no Novo Mundo.
Marian, então, poderia novamente alçar voo em busca de outras margaridas pelos
jardins do Universo, plantando flores nos corações de fogo estelar.
Madalena Barranco
Madalena Barranco, 41 anos, escritora paulistana, escreve prosa &
poesia, temperadas com fantasia. Dedica sua produção aos leitores dos 8 aos 108
anos, pela manutenção da fantasia na literatura.
Blog Letras de Morango
http://flordemorango.blogspot.com