

Inclusão - Textos
Considerações sobre o tema
Cristina Arraes Moreira
Quando aceitei o convite, que muito me honrou, de coordenar o canal de Inclusão no Espaço Ecos, o fiz de maneira consciente, firme e impessoal. Naquele momento não tencionava trabalhar sobre temas que sempre me atraíram durante minha vida ou foram exercendo fascínio, à proporção que me descobria e às minhas características. Desejava muito mais, influenciada talvez por minha irmã Vânia, em cujo portal trabalhamos, experimentando sensações de emoção, gratificação, acolhimento, respeito humano entre outras.
Foi assim que prossegui nesta tarefa que me é impossível exercer sozinha. Conto com as pessoas que conhecem o trabalho humanista do Portal VMD e que possam se interessar em colaborar com semelhante ato de “rebeldia”, rebeldia contra o conformismo, contra a fumaça que esconde algo impossível de ser negado.
Dá para avaliar a dificuldade do tema, pela forma com que fui procurada para escrever sobre o preconceito, a discriminação, a injustiça que se faz, ao se negar direitos incontestáveis do indivíduo. Alguns se interessaram em saber do que se tratava, como o assunto ia ser abordado, mas tenho tido dificuldade em contar com colaboradores. Sei que o tema assusta porque é aceitar mais uma falta de humanidade num mundo que já está tão pleno delas. Sei e compreendo. Mas assim mesmo insisto que pensem sobre a possibilidade de participar.
No momento em que escrevo, palavras como acomodação, inutilidade de ação, silêncio vêm se colocar em meu coração, trazendo para ele uma certa sensação de angústia e tristeza, mas não de desânimo. Talvez elas me forneçam mais combustível para continuar tentando. A luta é hoje, é já e é urgente.
Acomodação é tudo que o homem não pode ter quando se trata de relações humanas. É o outro, o bem estar, a justiça em todas as suas formas, que se impõem e lutam para se sair de um estado de letargia que só vai adiar o passo a seguir.
Inutilidade de ação é algo impensável. Como escritora, tenho em minhas mãos, um instrumento de comunicação que deve estar sempre a serviço do bem estar de cada um. Não penso em satisfação geral, pois é contra isto mesmo que estou me posicionando contra. Penso isoladamente, em cada pessoa, em cada carência, em cada sonho, em cada desejo, em cada decepção que se aloja na alma de uma pessoa e que assume importância gigantescamente maior do que cumprir preceitos com o objetivo de se “encaixar” em moldes prontos.
O silêncio é rico quando vem premiar o ser humano com a oportunidade de se ouvir. Mas não pode estar a serviço da acomodação. Recordo uma música religiosa que sempre me tocou muito e que diz mais ou menos assim: “Senhor, quebra coração, a começar por mim”. É isto que estou fazendo agora, abrindo meu coração, para que o tema em que me engajei, transforme sentimentos e sensações, começando por mim.
Considero de crucial importância refletir sobre termos que estão no cerne desta questão: Preconceito, estereótipo, discriminação. Determinam estes, caminhos para um mundo com menos paz, menos direitos, menos justiça.
Preconceito é um julgamento a “priori”, algo que se instala dentro da pessoa, sem conhecimento de causa. Ora, isto é tudo que vai contra a natureza do ser humano, que desfruta da capacidade de raciocínio, pensamento e conclusão. Por que não parar, por que não considerar as reais possibilidades de cada um e seu direito de ser diferente, seja por opção, seja por natureza?
O estereótipo é um carimbo em características de indivíduo, tornando-as mais evidentes, com cunho, muitas vezes de induzir a um julgamento negativo. As pessoas então são rotuladas por um olhar crítico sem fundamentos.
A discriminação é a ação, a escolha baseada no preconceito. Transforma o “não pensamento” em uma bandeira, como se o homem não tivesse nascido, cada um, de forma diferente e não tivesse o direito de ser feliz e se realizar segundo sua realidade.
Muito ainda teria que ser pensado aqui, mas presumo que devo fazê-lo aos poucos. Neste pequeno artigo, vai um apelo para todos que o leiam, pensem na possibilidade de transformar o dom de escrever em mais uma forma de desmanchar a sombra que envolve tantas pessoas, colocando-as como estereotipadas, incapazes de se adaptar ao mundo, quando na verdade, apenas vivem suas diferenças com coragem e determinação.
Cristina Arraes Moreira é carioca, escritora, poeta com site pessoal dentro do Portal Vânia Moreira Diniz e escreve em vários sites literários. Formada em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas e pós-graduada em Orientação Educacional. Exerce a profissão de Pesquisadora No Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE.