

Inclusão - Colaboradores
(coordenado Por
Cristina Arraes Moreira
e Com a colaboração de autores convidados.
Preconceito
– Um Primeiro Olhar
Daniel
Moreira Safadi
Preconceito é sempre um assunto complicado de se falar, muito polêmico.
Obviamente, não estou aqui me referindo a preconceitos já tidos como “feios” –
na falta de uma denominação melhor – para a sociedade, como o ódio aos negros, a homofobia ou o desejo de matar todos os pobres. Creio que estes preconceitos
mais extremos, digamos assim, estejam já sendo combatidos (para o senso comum,
ainda que existam alguns defensores inveterados que morrerão afirmando suas
teorias fascistas – perdoem-me a utilização um tanto anacrônica deste termo.
O maior benefício que o estudo sobre o preconceito pode trazer é fazer-nos confrontarmos com nós mesmos, questionarmos nossos princípios inquestionáveis, chocarmo-nos com a quantidade de preconceito que carregamos diariamente, através de pensamentos, omissões, olhares, limites, ações, palavras, enfim, uma infinidade de preconceitos enraizados que passam despercebidos. Este, creio eu, é o primeiro passo para um aproveitamento real de uma coluna, de uma linha que se dedica a falar sobre os preconceitos – Reporto-me tanto a leitores quanto escritores, sem me excluir a mim mesmo.
É difícil falar de deste tema com pretensões totalizantes, sem excluir qualquer um que existe, sem focar em apenas um ponto, mas tentarei ser o mais abrangente possível.
Muito me chamou a atenção, e isso deve ser comentado, que, ao escrever a palavra “homofobia” o Word a tenha sublinhado, como se não existisse.
Ao falar de focos, penso, estritamente, no preconceito social, para mim o mais forte, que perpassa toda a sociedade e acompanha qualquer outro preconceito. A condição de pobreza, de inferioridade na escala social aparece sempre como um agravante da pessoa, alia-se, e deixa mais forte ainda, o preconceito étnico, cultural, sexual, de gênero e tantos outros que não consigo listar agora. Não é tão ruim ser negro, ser gay, ser mulher, mas ser negro e pobre é pior, ser gay e pobre é pior, ser mulher e pobre é pior. As pessoas mais abastadas argumentam, bastante, terem amigos pobres, mas, em geral, estas amizades têm limites bem claros e definidos, não apenas economicamente, mas pessoalmente.
No entanto, prometi que tentaria não me prender a uma única linha, e assim me manterei até o final. Há pouco tempo, surgiu uma campanha contra o preconceito que chamou a atenção por sua boa intenção, mas por uma escolha não tão boa assim. “Onde você guarda o seu preconceito?” era o slogan da campanha que, apesar de ser voltada para a questão da orientação sexual, pode ser pensando de uma forma mais ampla. À primeira vista, gostei dela, mas, olhando melhor depois – e não fiz isso sozinho – pode-se ver algo, que talvez nem tenha passado pela cabeça dos publicitários: ao colocar um slogan tão direto – e acredito que esta tenha sido a intenção – trata-se o preconceito como se fosse algo puramente individual, como se o problema fosse simplesmente pessoal, e não social.
O preconceito é extremamente enraizado na sociedade, em qualquer sociedade, e não é algo que se cria dentro de si mesmo, sozinho e alienado do mundo exterior. É criado a partir de modelos ideais propostos por uma sociedade que, apesar de combatê-los levemente para atender às pressões destes mesmos grupos marginalizados, continuam a afirmá-los cada vez mais.
Numa emissora de televisão, apesar de mostrar um casal gay numa novela de grande audiência, a relação dos dois (ou das duas, para evitar ser preconceituoso) é mostrada e interpretada tão sutilmente – para não chocar – que mal se percebe a homossexualidade das personagens. Não há um simples beijo, tão comum e tão intenso e erótico como quando se trata de heterossexuais. Enfim, este é apenas um exemplo que demonstra que o preconceito não está guardado apenas, está à mostra, basta querer perceber, basta tentar enxergá-lo: não apenas nos outro em si, mas também na sociedade como um todo.
Daniel Moreira Safadi
Daniel Moreira Safadi tem 19 anos, é
carioca, estudante de História, sempre gostou de escrever, interessando-se muito
pelas questões sociais. Tem poemas e textos publicados neste portal. Ineressa-se
por literatura, música, cinema e política. Idealista, por natureza, sonha poder
contribuir para mudanças no mundo que se fazem necessárias, visando a igualdade.
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