Inclusão - Textos

Diferenças e desigualdades
Cristina Arraes Moreira

Somos todos seres humanos dotados da capacidade de pensar, refletir, concluir. Nisto somos iguais. Temos uma alma, pela qual podemos conhecer nossa essência.

Por que, então, esta preocupação em rotularmos pessoas e construirmos modelos? A grande novidade de nossa criação é que, embora tenhamos características básicas em comum,  possuímos uma tal quantidade de variedades naturais, a ponto de não existir dois seres humanos iguais.

Mas insistimos em criar uma classificação na qual cada um esteja incluído pelo menos numa. É loucura mas é real. Existirá, com toda certeza, pessoas que não adeqüem em nenhuma daquelas existentes.

Tudo é relativo e nossa noção do certo e errado, do feio e bonito, justo e injusto, e outras coisas mais não poderiam nunca abordar o universo da humanidade.

Vejamos a beleza, o que se classifica como bonito. O conceito é formado diante do que aprendemos, desde a mais tenra idade. Normalmente achamos que o belo é aquele que não foge muito ao padrão encontrado no convívio de nossas relações. Mas esquecemos de pensar que existem outros lugares, outros hábitos, outras nações que pensam de forma diversa.  Este conceito vai se transformar a medida que visitamos outras civilizações.

Assim como a beleza, todos os conceitos foram criados pelo homem. Não seria muita presunção estabelecermos regras, em cujos domínios o indivíduo deva se adaptar, para ser socialmente aceito e tratado como igual? Observemos então nossos irmãos de estrada, que têm o mesmo direito à vida e às oportunidades, para a conquista do justo espaço dentro do mundo.

Uma palavra se impõe então, ameaçadora e cruel: preconceito. Que seria isto? Em seu significado mais genérico, diferenciar por instinto, sem uma necessária avaliação das características diferentes. Em tudo reside o preconceito e se trona impossível erradicá-lo, até porque numa simples escolha, sem a menor reflexão, já estamos exercendo o preconceito. A palavra explica por si só, um pré julgamento, uma pré seleção, uma pré avaliação.

Mas o preconceito se apresenta numa clara demonstração de desamor e injustiça, quando se nega ao outro, aquilo que se acha o sujeito merecedor.  E os tipos deste comportamento vão se avolumando a medida que nova regras são criadas, divulgadas e se incita o homem a segui-las.

Recentemente comemorou-se o  dia internacional da mulher. Exemplifico então por este ponto, não por importância, mas porque as pessoas estão mais suscetíveis a esse tema no momento. Por que criar um dia internacional da mulher? Observa-se que os dias são especiais são criados, ou por interesse comercial, ou por que algum tratamento desigual é dado ao segmento homenageado. A mulher teve e tem que lutar para se impor no mercado de trabalho, para se apresentar de forma visível numa sociedade que insiste em classificá-la como dependente e reduzir seu espaço. E a mulher disse não.

Eu digo não para muito mais. Não aceito, não concordo e não colaboro com qualquer forma de discriminação. Tenho orgulho de estar neste espaço, onde se luta pela inclusão de todos, para que possamos conseguir um mundo mais justo e mais humano.

Cristina Arraes Moreira é carioca, escritora, poeta com site pessoal dentro do Portal Vânia Moreira Diniz e escreve em vários sites literários. Formada em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas e pós-graduada em Orientação Educacional. Exerce a profissão de Pesquisadora No Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE.


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