Inclusão - Colaboradores
(coordenado Por Cristina Arraes Moreira
e Com a colaboração de autores convidados.

Palestra de Lurdinha Danezy Piantino sobre seu filho Lúcio na UnB (Universidade de Brasília)

Amigos,

Eu quero aproveitar essa plenária para fazer uma declaração.

Quando meu filho Lucio nasceu ele não veio sozinho, com ele veio um diagnóstico: o da síndrome de Down e um prognóstico: o da deficiência mental e todas as questões a ela relacionadas como, por exemplo, atraso no desenvolvimento, dificuldade de aprendizado e toda aquela lista que todos conhecem.

O nascimento do Lucio mudou a minha vida e a minha história.

Desde então venho trabalhando para o desenvolvimento dele e também na promoção de mudanças na maneira como a sociedade vê essas crianças.

É por isso que estou participando desse fórum.

Acredito na real possibilidade de toda pessoa que nasce com uma condição biológica diferente da nossa, se desenvolver dentro dos padrões esperados pela sociedade.

Acredito também que, para que isso aconteça, é necessário que as pessoas se dispam dos preconceitos e procurem olhar para eles como pessoas e não como portadores dessa ou daquela deficiência.

Acredito que rompendo a barreira do preconceito muita coisa pode mudar.

Estamos aqui discutindo o papel da Universidade no processo de inclusão das pessoas especiais, e percebo que muitos dos discursos ainda vêm embutidos de uma grande carga de preconceito.

Enquanto predominar na Universidade o olhar essas pessoas com os óculos do preconceito, o distanciamento e as barreiras criadas por esse olhar serão reforçadas e repassadas para os estudantes que, sendo formados dentro desse mesmo modelo cuidarão de perpetuá-lo e reforçá-lo.

O preconceito da superioridade do saber acadêmico diante do desconhecimento científico dos leigos como eu, é um desafio a ser enfrentado.

Eu sou apenas mãe de uma criança com síndrome de Down e coordenadora do Clube de Mães em Movimento que luta contra o preconceito. A nossa luta também inclui o preconceito da superioridade do saber acadêmico em relação ao saber que, a duras penas, construímos na nossa luta cotidiana. Não é preciso ser cientista para lutar contra o preconceito, basta apenas compromissar-se. Mas é preciso que o cientista também tenha esse compromisso.

Os olhos do preconceito  vêem-me apenas como mãe e do púpito colocam-me no meu lugar, num distanciamento que pode impelir-me à alienação.

Mas eu não sou uma estranha na Universidade.

Estou aqui apenas como Mãe e é como mãe que eu venho cobrar da Universidade que cumpra o seu papel de formadora de profissionais que vão passar pela vida do meu filho e dos filhos de muitas mães que, como eu, foram surpreendidas com um filho diferente do esperado.

Quero cobrar da Universidade que ela possa promover uma mudança no olhar em relação a essas pessoas e que os profissionais que saem daqui tenham condições de orientar as mães na melhor maneira de conduzir o desenvolvimento dos seus filhos diferentes, e que esses profissionais sejam sensibilizados, por vocês, a serem capazes de olhar as crianças como crianças e não como anomalia e que elas possam ter a oportunidade de, desde o início da sua vida, serem valorizadas pelo que podem e não desvalorizadas pelo que não podem. Que os profissionais da educação tenham a sensibilidade de buscar estratégias diferenciadas para atender as necessidades de cada aluno e dar a ele a oportunidade de diminuir as estatísticas de PNEs dentro da Universidade por eles serem tratados conforme suas possibilidades como pessoas.

Gostaria de dizer ainda que é como M Ã E que eu espero que os PUs possam ensinar aos EUs que as pessoas especiais não são apenas PNEs.

L. Danezy Piantino 

Lurdinha, mãe do Lúcio é hoje a Presidente da Amem (Associação De Mães Em Movimento)

Lurdinha é artista plástica com formação universitária em História e especialização em Saúde perinatal, desenvolvimento e educação do bebê na UnB. Mãe de três filhos, vem se dedicando ao estudo da síndrome de down desde o nascimento de seu filho Lúcio, hoje com 8 anos
Atualmente preside a AMEM - Associação "Mães em Movimento" que tem como objetivo, promover o desenvolvimento das
pessoas socialmente instituídas como deficientes, apoiando às famílias, inclusive nas escolas


Fale Comigo

voltar