Inclusão - Textos

Síndrome de Down
Cristina Arraes Moreira

Estava eu sentada confortavelmente em minha casa, assistindo à televisão. Mas algo no Jornal me chamou atenção. Era uma notícia sobre crianças com Síndrome de Down. Ressaltava que estas crianças têm dificuldade em obter matrículas em cursos regulares.

Saí de minha zona de conforto.... Aquilo me incomodou tremendamente. Como assim? Educadores que se propõem a preparar pessoas para viver no mundo... De que forma? Veio a meu pensamento, a preocupação com formação e informação. E é esta reflexão que ouso praticar.

Informação seria a construção de todo um conhecimento a cerca de ciências, matemática, religião, etc. Informação não seria também a percepção de tudo que está acontecendo no mundo? Não seria um olhar crítico em relação ao comportamento do ser humano? E aí se une ao conceito de formação. Portanto, os dois não poderiam correr paralelamente, sob pena de perda de conteúdo.

O que fazem nossos educadores então? Eximem-se desta responsabilidade, executando apenas o cotidiano, o corriqueiro, o igual. A diferença é muito complicado! Mas se justamente é ela que identifica a essência da alma que vive indissoluvelmente arraigada em cada ser?

É claro que não estou generalizando. Existem, felizmente, aqueles educadores que têm um olhar crítico, uma preocupação em relação à inclusão, em suas mais diversas forma. Falo daqueles que se acomodam, alegando simplesmente não estar preparados, não ter estrutura, etc.

Vejo-me confusa neste momento. Não estão preparados para as diferenças? Então não poderiam ser educadores porque lidar com formação é lidar com diferenças. Somos únicos, todos e se tivéssemos um olhar mais abrangente, concluiríamos que cada um tem que ser tratado de forma diversa porque não há forma para o ser humano. O grande problema é que se estipulou determinados assuntos, comodamente amoldados a fórmulas, colocando-se então o homem subjugado a este valores, que nasceram da falta de informação e a pouca vontade de mudar.

No dia 21 de março se comemora o dia internacional da Síndrome de Down. Que bom se não precisássemos deste dia! Significaria que a humanidade estaria sendo compreendida em pessoas e não unidades! Significaria que já existe a compreensão de que a única igualdade que existe é que somos todos diferentes. Precisamos deste dia porque muito ainda se tem a lutar, buscando uma harmonia e dando a estas crianças o direito do amanhã.

Cristina Arraes Moreira é carioca, escritora, poeta com site pessoal dentro do Portal Vânia Moreira Diniz e escreve em vários sites literários. Formada em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas e pós-graduada em Orientação Educacional. Exerce a profissão de Pesquisadora No Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE.


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