Inclusão - Colaboradores
(coordenado Por Cristina Arraes Moreira
e Com a colaboração de autores convidados.

Direito dos Seres Humanos
Vânia Moreira Diniz

A Declaração dos Direitos Humanos foi assinada em 10 de dezembro de 1948, quando o mundo,  principalmente a Europa ainda estava devastado pela 2ª Guerra Mundial  e o senso de liberdade, igualdade e justiça, se encontravam defasados ensejando a falta de amor e o preconceito existente entre todos os povos.

Nessa época a miséria, pessoas mutiladas, o horror que todo fim de batalha  proporciona predominavam. Seis milhões de judeus haviam sido covardemente eliminados e entre eles deficientes físicos e homossexuais. Uma barbárie das piores que a humanidade conheceu. Não é possível imaginar ainda hoje como seres humanos com raciocínio e sentimentos tenham  levado o mundo a tamanha tragédia de horror e sadismo.

Os Direitos humanos com 30 artigos englobando o mundo inteiro foram promulgados procurando abarcar todos os aspectos da vida humana e os direitos civis, políticos, sociais e econômicos.

Tudo isso teria que ser universal sem o que não haveria resultados necessários e eficientes. A desigualdade social vicejava fazendo com que a separação entre os companheiros de caminhada fosse realmente vergonhosa.

Gostaria de analisar agora depois de quase sessenta anos o que está acontecendo no mundo. O artigo 25 diz;

1 - “Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.

2 - A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social.”.

Fala-se tanto em Direitos Humanos, porém na imensa maioria de vezes não sabemos por que pronunciamos essa frase, hoje em dia, relativamente corriqueira. Referimo-nos a ela num momento de discussão acalorada e muitas vezes porque o assunto em uma roda de amigos a requer.

Mas temos que parar para pensar que antes de tudo, em Direitos humanos está inserido como principal item, o respeito. E dele provêm a humanidade, compreensão, retidão, e principalmente a bondade.

Direitos Humanos com a empregada doméstica, com o trabalhador, com o pobre, o mendigo, os velhos, o homossexual, os excluídos de várias categorias, o jovem, o estudante, o ser humano em geral.

Quando nos omitimos, em várias atitudes com displicência e não vemos ou fechamos os olhos para injustiças e atitudes em que a humanidade está ausente, não é um caso de Direitos Humanos?

Porque esses direitos são muito mais abrangentes do que nós queremos demonstrar. Muito mais.

E na atitude de todos os dias, num gesto confortador, num sorriso amigo, no aperto de mão caloroso, no entendimento dos sofrimentos alheios vai a nossa avaliação e prática desse direito constitucional. Só que aí é uma versão peculiar e particular, questão de foro íntimo e de solidariedade.

Em época tão propícia em que comemoraremos 60 anos da Declaração dos Direitos humanos, nessa época que sem querer, nos reportamos a sofrimentos pelos quais a humanidade passou sem que um grito fosse levantado a favor dos injustiçados, é a hora certa de refletirmos um pouco.

É verdade que muitas vezes comemoramos essas datas sem entrarmos no cerne dos acontecimentos. Deveríamos, entretanto aproveitar, o instante para fazer uma análise particular de tantos direitos humanos violados quase conscientemente. Contudo reversíveis se uma atitude for tomada ainda em tempo.

Crianças são abandonadas, violentadas, exploradas; adolescentes levados e dirigidos para o que a vida apresenta de mais vil em todos os aspectos, cortando-lhes o direito de escolherem sua própria consciência.

Pessoas inocentes atacadas, mulheres estupradas, jovens assassinados, tiros que atingem inocentes tolerados, pessoas humilhadas, discriminação permitida, olhos fechados à maldade e ao indiferentismo, tudo isso são direitos humanos não exercitados em sua forma mais simples. Esses são aqueles que ferem e lesam a nossa própria consciência.

Que dizer daqueles assinalados na Constituição Federal e na Carta Magna?

Não é especificamente com os direitos apenas dos presos ou detidos que devemos nos preocupar. Esses merecem, porque são cidadãos embora por vezes não tenham pensado duas vezes para acabar e eliminar pessoas e famílias, mas têm direito à defesa e à vida.

Quando falam dessas pessoas muitas vezes esquecem que também os lados atingidos (as maiores e as mais tristes vítimas) estão à mercê da violência covarde, sem praticamente defesa porque muitas vezes, por medo, omitem os assaltos dos quais foram vítimas.

Que mundo é esse, eu pergunto, onde pessoas atingidas, marcadas, que sofreram agressão e barbarismo têm que se esconder? Contraste revoltante e amargo, os valores que se invertem, a vida que parece não ter mais sentido, e a população inerte, apavorada e infeliz a esperar uma solução indefinida.

E são justamente aquelas mais indefesas, carentes de proteção, cultura e amizades as maiores vítimas num silêncio constrangedor.

Isso sem falar nos direitos humanos daqueles que não tem acesso à saúde e em condições de ter um plano de saúde e educação decentes que lhe dêem uma visão mais ilimitada do amanhã ou pelo menos uma luz ainda frágil que brilhe vacilante ao redor de suas vidas, tirando-lhes a desesperança e infiltrando-lhes uma nesga de alento.

E não é mais um grito nem gemido que precisamos emitir. É um brado. No momento que Direitos humanos não são compreendidos na sua expressão mais ampla, que nós mesmos nos descomprometemos de maneira mesmo parcial vale um brado. Um brado de socorro. Um imenso e lamentoso brado.

Precisamos o mais rápido possível respeitar a promulgação dessa Carta que mudou o destino da humanidade e respeitar item por item todas as normas que a regeram.

Claro que a importância dessa promulgação foi e é no sentido lato da palavra importantíssima. Precisamos apenas agora, aos 60 anos de publicação estar atentos para os aspectos menores, porém primordiais e analisar os fatores subjetivos que ainda levam as pessoas em geral a esquecerem detalhes desse documento respeitado e que mudou os destinos do homem, do planeta em que vivemos e do sentido do amor universal.

E proclamar com mais ênfase a cada ano que passa o sentido pleno de todos os artigos que constituem essa carta magna.

Vamos honrar e enaltecer os sessenta anos que se aproximam e esperar e lutar para que os seja um marco ainda maior para o futuro englobando o sentido verdadeiro de amor, solidariedade, compreensão de altruísmo e união e batalhar ainda mais pela inclusão, única forma de respeitar cada um dos artigos da Declaração dos Direitos Humanos. 

Vânia M. Diniz é escritora, cronista, poeta e humanista, com sites na Internet, e-books e livros publicados.

Membro da AVBL- Academia Virtual Brasileira de Letras-Cadeira 98 (desde 2001)

Patronesse e Membro efetivo da Academia Virtual _ Sala de Poetas e  Escritores- AVSPE

Associada de Poetas Del Mundo, consulesa do Plano Piloto- Asa Sul- Brasília

Pertence a Rebra - Rede de Escritoras Brasileiras.

Colunista quinzenal  de Blocos online, fazendo parte de sua equipe fixa.

O Portal Vânia Diniz foi acolhido em diversos países da Europa em seus links preferidos.

Divulga mais de 1000 autores.

Premiada com Medalha de Ouro pela InBrasCi- Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais Presidente Marilza A. de Castro)  durante a Bienal de Brasília em agosto de 2008 por sua atuação e divulgação na cultura brasileira.


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