


A PEDRA PROLE
A pedra não se rompe nem se
arrasta
É sólida, nossa última arma secreta.
Somos peregrinos nas mãos de todos
Sempre excitados para sermos atirados.
A vida: fardo caminho de
pedregulhos.
O amor: a mais bela drusa, pepita mais rara.
Sentimo-nos empedrados, orgulhosos.
O mundo: penedo maior, cósmica pedreira.
Em cada sonho, o palpitar do
átomo da pedra.
Enfileirando nossas casas, nossas lápides.
Cristalizando em gloriosas estátuas de lepra
Com seixos inférteis, dormentes, impunes.
Pérolas que não se divorciam
nem se abortam.
Espreitam tácitas pelos nossos fracassos.
Na iminência elas esperam, se lapidam...
Proliferam pra vencer também nossos filhos.
Se elas falassem e calassem os
homens...
Dinamitando a falésia da nossa paralisia,
Que nos transformou em vermes infames...
Ouro de tolo, poeira, veio da própria hipocrisia.
Wagner Ferreira nasceu em Sorocaba, é poeta, romancista, cronista, contista, co-autor das antologias Sorocult e Rodamundo em 2008, também colunista do site Sorocult.com, e cintiammores.com, cursou Direito na Fadi e Letras na Unicoc, é autodidata, acumulando várias atividades no comércio e exercendo várias profissões.
Autor do romance místico, “O caçador de milagres”. Um romance de auto-conhecimento, que traz sabedorias milenares para a realidade brasileira.