


![]()
Nina Reis da Abrace entrevista o músico e poeta Nestor Kirjner
Nina Reis: Como foi o início de Nestor Kirjner na música?
Nestor Kirjner: Eu era garoto, tinha sete anos de idade e comecei a ouvir uma novela de rádio com minha mãe e avó. Apaixonei pela protagonista, que tinha uma bela voz, e resolvi fazer uma música para ela. Era um samba-canção, chamado "Longa Estrada", e foi um sucesso no seio da família. Depois, nunca mais parei de compor. Aos 9 anos, meu pai me inscreveu numa escola de acordeon, onde me formei aos 14. Tornei-me um dos solistas da Academia aos 10 anos de idade, em conjuntos de 30 ou 40 acordeonistas. O violão chegou mais tarde, aos 18 anos, pelos problemas de harmonia que tem a mão esquerda do acordeon e as dores de coluna que adquiri como músico de baile, em função de ter que tocar o acordeon de pé, durante cinco ou seis horas consecutivas. Muito magro, na época, a coluna pouco resistente me obrigou a trocar de instrumento.
Nina Reis: Por favor, fale-nos um pouco sobre seu CD "Sinfonia da Cidade Nova" e como surgiu a idéia do Cartão de Natal Sonoro criado em 2007?
Nestor Kirjner: São fases diferentes da minha composição. A "Sinfonia da Cidade Nova" foi composta como uma homenagem á injustiçada "Sinfonia da Alvorada", de Tom e Vinícius, composta para a festa de inauguração de nossa cidade. É um preito à paz mundial e á esperança no futuro da humanidade, que imaginei pudessem ser representadas por Brasília, uma cidade-milagre, a meu ver predestinada a ter um importante no século 21. São onze temas que traduzem essa idéia em forma de samba de raiz, samba enredo, xóte, forró e os esquecidos gêneros da valsa brasileira e da marcha rancho, que também procurei resgatar, reforçando o esforço de Chico Buarque nesse sentido. A “Sinfonia" foi lançada em 2003, mas esbarrou na indiferença da mídia e dos músicos e cantores da cidade, que, a meu ver, não perceberam a mensagem com muita clareza. O Cartão de Natal Sonoro é uma idéia mais recente, de pretensão mais amadora, feito para homenagear os amigos que me incentivaram como compositor ou deram espaço para o Coral Alegria, onde trabalho há 8 anos como Diretor Musical.
Nina Reis: Como Diretor Cultural da Sociedade Amigos da BDB - Biblioteca Demonstrativa de Brasília, como você define o público da Capital Federal?
Nestor Kirjner: Os projetos de que participei na BDB mostram a qualidade das platéias de Brasília. Entusiasmo, respeito aos artistas e grande sensibilidade artística e musical são apanágio do público brasiliense. Inclusive, na BDB, comecei no palco, de forma amadora, e tive o privilégio de usufruir desse carinho e participação. Somos feitos para a Arte, e o Bibliomúsica e o Quintas Sonoras são provas contundentes dessa afirmação. Para não citar o Clube da Bossa Nova e, principalmente, o Clube do Choro, projeto que tem hoje um alto conceito em nível nacional. Quem tem olhos pode perceber, se não estiver tolhido pelo preconceito.
Nina Reis: Em relação ao Coral Alegria, como surgiu a idéia de sua criação? Que espaço ele ocupa em Brasília?
Nestor Kirjner: O Coral Alegria nasceu quase por acaso. O prof. Victor Boccucci estava à procura de atividades que motivassem sua esposa, a profa. Ana, que andava um pouco depressiva. Uma pessoa da Administração de Brasília, dona Dircéa, sugeriu a ele que conseguisse a cessão da profa. Ana junto à Codeplan para organizar um coral lá na Administração. Como o interesse dos funcionários não foi tão grande, o novo Coral foi aberto á Comunidade, justamente no momento em que eu tentava divulgar o "Canto-Brasília" na comunidade estudantil, com um projeto já aprovado pelo FAC. Assim, quando nos encontramos, os dois projetos estavam precisando de apoio, e eu passei a assessorar a profa. Ana na condução do Coral e o novo Coral Alegria passou a me dar apoio na divulgação, primeiro do "Canto-Brasília" e depois na "Sinfonia da Cidade Nova". Oito anos depois, creio que já temos um espaço na música brasiliense, e somos um Coral de vocalistas amadores com um perfil singular dentro da música de Brasília. Em 2008, participamos com sucesso do Festival de Coros da Escola de Música da L2 Sul e este ano chegamos ao palco do Teatro Nacional. Em ambos, a resposta do público superou nossa expectativa.
Nina Reis: Existem novos projetos em pauta?
Nestor Kirjner: O projeto principal é retomar o que estava sendo feito, quando fui surpreendido pelo infarto. A palavra, no momento, é "retomar". Retomar o projeto do segundo disco, as composições que eu estava fazendo, o contato com novos e geniais parceiros (como o maestro Romeu Castro, de Fortaleza, que me mandou quinze lindos temas e só fiz uma letra, por enquanto), o projeto do Coral Alegria, as intenções de participar do ano do cinquentenário de Brasília, voltar a tocar bem violão (agora sou aluno do grande Nélson Carega), enfim retomar a vida, que me exigiu férias forçadas e talvez até necessárias. Que Deus não se arrependa da prorrogação que me foi concedida! Depende Dele! Se puder, volto com tudo!
NESTOR KIRJNER
. Poeta e compositor, agente cultural, engenheiro por formação, professor diplomado de acordeon, violonista autodidata, intérprete de MPB, e palestrante sobre o tema MPB.
. Nasceu em Santiago do Boqueirão (atual Santiago), no Rio Grande do Sul, no dia 20 de março de 1944.
. Tem, atualmente, 65 anos de idade.
. Reside em Brasília há 36 anos, onde compôs a “Sinfonia da Cidade Nova”, homenagem a Brasília registrada em CD.
. Foi Diretor Cultural e Vice-Presidente da Casa do Poeta Brasileiro, estando atualmente licenciado do cargo de Diretor-Secretário.
. Como microempresário, dirigiu por dois anos a Academia Kirjner, escola de violão para principiantes, onde procurou implantar um modelo próprio e original no ensino do instrumento.
. Assina, há 11 anos, uma coluna cultural no jornal “Lago Notícias”.
. É autor de músicas conhecidas na cidade, divulgadas principalmente pelo Coral Alegria, grupo vocal que dirige há oito anos. Entre elas, podemos citar “A Lenda de Vila Branca”, “Minuto Vagabundo”, “Pensamento”, “Valsa do Pierrô” e “Canto-Brasília”.
Principais comendas e premiações
. Medalha do Centenário de Bernardo Sayão, recebida em solenidade realizada no Catetinho, entregue por Léa Sayão, filha de Bernardo, e por Ana Cristina Kubitschek, neta do fundador de Brasília.
. Medalha advinda da homenagem prestada pelo INBRASCI – Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, na 27ª. Feira do Livro, a pessoas que se destacaram na defesa da Cultura Brasiliense.
. Sócio Benemérito da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB). Diretor Cultural da Sociedade dos Amigos (SABD). Participa ativamente dos projetos “Bibliomúsica” e “Quintas Sonoras”.
. Vencedor do Primeiro Encontro Brasiliense de Compositores, primeiro festival de música popular realizado em Brasília, no ano de 1975.
. Nota dez do poeta Mário Quintana, num festival de música realizado no Rio Grande do Sul. Foi a única nota dez dada pelo poeta, entre 770 letras concorrentes.