


Pensei que
estava no céu
Nestor Kirjner
Poema a ser publicado em dezembro de 2008, na
Antologia de 30 anos da Casa do Poeta Brasileiro – Seção DF
(Poema dedicado a minha filha Ana Elisa,
de apelido Kukute, cuja dança me faz feliz e coruja.)
Pensei que
estava no céu,
nos braços de anjos vestais!
Mas qual! Era ainda mais!
Eu via a fada
Kukute,
voando sobre a platéia!
E minha alma
plebéia
subia ao palco com ela,
velando pela beleza,
dançando como uma pluma.
E ela era apenas
uma,
mas todo mundo sumia,
quando no palco surgia
a bailarina soberba!
E minha alma tão
erma,
tão vazia de contextos,
passou a traçar afrescos
com a presença-bailarina.
E hoje eu vejo
na foto
as flores daquela noite!
E lembro do doce açoite
dessa arte em movimento.
Não haverá mais
tormento,
enquanto dançar a musa!
E, se ela é minha filha,
mil desculpas e escusas!
Perdoe o atrevimento!
Gerar pessoa tão
bela
que, no palco, reinventa
a alegria da vida,
é privilégio-poeta
de quem, no instante fecundo,
trouxe Kukute ao mundo
pra encantar a platéia.
Mas não seria
acertado
esquecer que Ana Elisa
não é filha de Maria
mas foi gerada em Luzia,
no ventre-mãe tão amado.
Ela é modesta e
compensa
a corujice do Véio,
o desmesurado orgulho!
Pois quem não gera bagulho
e só enfeita a vitrine,
põe Marília em berço-vime
e Daniel no berçário.
De resto, o Véio
é otário!
Mas essa herança bendita
vai ficar em letra escrita
quando houver meu inventário!
Brasília, setembro de 2008.
NESTOR KIRJNER
. Poeta e compositor, agente cultural, engenheiro por formação, professor diplomado de acordeon, violonista autodidata, intérprete de MPB, e palestrante sobre o tema MPB.
. Nasceu em Santiago do Boqueirão (atual Santiago), no Rio Grande do Sul, no dia 20 de março de 1944.
. Tem, atualmente, 65 anos de idade.
. Reside em Brasília há 36 anos, onde compôs a “Sinfonia da Cidade Nova”, homenagem a Brasília registrada em CD.
. Foi Diretor Cultural e Vice-Presidente da Casa do Poeta Brasileiro, estando atualmente licenciado do cargo de Diretor-Secretário.
. Como microempresário, dirigiu por dois anos a Academia Kirjner, escola de violão para principiantes, onde procurou implantar um modelo próprio e original no ensino do instrumento.
. Assina, há 11 anos, uma coluna cultural no jornal “Lago Notícias”.
. É autor de músicas conhecidas na cidade, divulgadas principalmente pelo Coral Alegria, grupo vocal que dirige há oito anos. Entre elas, podemos citar “A Lenda de Vila Branca”, “Minuto Vagabundo”, “Pensamento”, “Valsa do Pierrô” e “Canto-Brasília”.
Principais comendas e premiações
. Medalha do Centenário de Bernardo Sayão, recebida em solenidade realizada no Catetinho, entregue por Léa Sayão, filha de Bernardo, e por Ana Cristina Kubitschek, neta do fundador de Brasília.
. Medalha advinda da homenagem prestada pelo INBRASCI – Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, na 27ª. Feira do Livro, a pessoas que se destacaram na defesa da Cultura Brasiliense.
. Sócio Benemérito da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB). Diretor Cultural da Sociedade dos Amigos (SABD). Participa ativamente dos projetos “Bibliomúsica” e “Quintas Sonoras”.
. Vencedor do Primeiro Encontro Brasiliense de Compositores, primeiro festival de música popular realizado em Brasília, no ano de 1975.
. Nota dez do poeta Mário Quintana, num festival de música realizado no Rio Grande do Sul. Foi a única nota dez dada pelo poeta, entre 770 letras concorrentes.