


"Réveillon do
Ano 2000, Meia-noite"
Nestor Kirjner
Os olhos da moça
buscarão o céu do novo milênio,
os fogos, as luzes, a esperança,
pelas janelas abertas da cobertura,
último andar, vista para o mar,
vista para o não-amar ...
Seu sorriso
será amplo,
como convém a todos os profissionais.
Ela estará linda e, ainda que longe,
eu saberei disso, com a mais absoluta certeza.
Ela estará pronta pra sorrir
de fogos eufóricos e decadentes,
pronta para o não-ser-mais de nossa hipocrisia ...
A seu lado, o
carismático corrupto,
embriagado não pela poesia do instante,
mas pelo medo de que o poder estanque,
será o símbolo de tudo, atento e lato.
Tudo venal, ela inclusive!
Tudo normal, nada se extingue
com os belos fogos desse “réveillon” barato!
Depois, sem
fogos, sem artifícios,
ela sentirá que decorou
uma festa a que não pertencia.
Sobre o ridículo do poderoso executivo,
cairá uma lágrima fugidia, inesperada,
como inesperada será
a inexplicável esperança
que invade o coração
das moças e dos poetas,
esperança de um milênio, de séculos gentis,
de décadas de carinho e paixão,
de anos de versos e sinceridade,
como se os fatos do dia-a-dia não existissem,
não fossem maiores que os anos e os milênios,
como se moças, músicos e poetas
não decorassem festas e orgias
hipócritas e vazias.
Seria como se o
milênio fosse o novo,
como se o corrupto não acordasse
de seu porre detestável.
Seria como se
as luzes não trouxessem
a humilhação da bela e do artista.
Como se meu verso não fosse apenas
um verso prostituto
na noite de um novo e desumano milênio
que apenas se inicia ...
Agosto, quase dezembro, de 1999
CASA DO POETA BRASILEIRO – SEÇÃO DE
BRASÍLIA / DF
(ANTOLOGIA "No Limiar
do Terceiro Milênio", de 1999)
NESTOR KIRJNER
. Poeta e compositor, agente cultural, engenheiro por formação, professor diplomado de acordeon, violonista autodidata, intérprete de MPB, e palestrante sobre o tema MPB.
. Nasceu em Santiago do Boqueirão (atual Santiago), no Rio Grande do Sul, no dia 20 de março de 1944.
. Tem, atualmente, 65 anos de idade.
. Reside em Brasília há 36 anos, onde compôs a “Sinfonia da Cidade Nova”, homenagem a Brasília registrada em CD.
. Foi Diretor Cultural e Vice-Presidente da Casa do Poeta Brasileiro, estando atualmente licenciado do cargo de Diretor-Secretário.
. Como microempresário, dirigiu por dois anos a Academia Kirjner, escola de violão para principiantes, onde procurou implantar um modelo próprio e original no ensino do instrumento.
. Assina, há 11 anos, uma coluna cultural no jornal “Lago Notícias”.
. É autor de músicas conhecidas na cidade, divulgadas principalmente pelo Coral Alegria, grupo vocal que dirige há oito anos. Entre elas, podemos citar “A Lenda de Vila Branca”, “Minuto Vagabundo”, “Pensamento”, “Valsa do Pierrô” e “Canto-Brasília”.
Principais comendas e premiações
. Medalha do Centenário de Bernardo Sayão, recebida em solenidade realizada no Catetinho, entregue por Léa Sayão, filha de Bernardo, e por Ana Cristina Kubitschek, neta do fundador de Brasília.
. Medalha advinda da homenagem prestada pelo INBRASCI – Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, na 27ª. Feira do Livro, a pessoas que se destacaram na defesa da Cultura Brasiliense.
. Sócio Benemérito da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB). Diretor Cultural da Sociedade dos Amigos (SABD). Participa ativamente dos projetos “Bibliomúsica” e “Quintas Sonoras”.
. Vencedor do Primeiro Encontro Brasiliense de Compositores, primeiro festival de música popular realizado em Brasília, no ano de 1975.
. Nota dez do poeta Mário Quintana, num festival de música realizado no Rio Grande do Sul. Foi a única nota dez dada pelo poeta, entre 770 letras concorrentes.