


Poema
do Vendedor de Pirulitos
Silas Corrêa Leite 
Lá vem o guri polaco vendendo
seus Pirulitos
Com seu tabuleiro lotado e seu sorriso avelã
Vende cada guloseima púrpura por um tostão
Mas eu que sou piá pobrinho
Não posso comprar nada não
O
branquelo vendedor de pirulito premiado
Andarilha
de come-quieto pelas ruas de cacau quebrado de Itararé
Vagueia também pela periferia cor de pitanga a apregoar
de-apé
Fazendo um dinheirinho minguado para poder ajudar em casa
O pai triste, sem emprego,
doente, desacorçoado
A mãe barriguda para ganhar outro irmão gabiru
Não tenho um só tostão para o pirulito premiado
Nem pro dolé de groselha preta, pra maria-mole de
coco queimado ou mesmo pro beju
Mas um dia serei rico na vida,
tudo de bom vou ter
Depois de estudos, dinheirudo eu sei que vou
vencer
Vou ter diploma, carro, casa de chocolate e um cofre de grana
forrado
E vou comprar um montão de doces como o bendito pirulito premiado
Vou distribuir para todas as crianças ou para os molóides
adultizados
Que como alguns poetas amalgamados
Se esqueceram
de crescer
Silas Correa Leite www.artistasdeitarare.zip.net
Silas Corrêa Leite é da Estância Boêmia de Itararé (sudoeste do Estado de São Paulo, divisa com o Estado do Paraná do qual tem toda fauna, flora e o geofísico), é Professor, Jornalista e Escritor, poeta e ficcionista, autor do e-book O RINOCERONTE DE CLARICE