


ADEUS
Sim, será um prazer morrer
neste seu colo,
Segurar na sua mão, num último consolo.
A vida não terá sido uma criatura ingrata.
Será sorte, o que a morte trama e nos oculta.
Dói-me apenas a pilha dos
livros não lidos,
Os lugares que nossos olhos não viajaram.
Doem-me os sonhos que os deuses calaram,
Síncopes que te abrem todos os meus segredos.
Morro sem me tornar
vegetariano, insano.
Sem me redimir dos vícios da carne, profano.
Antes de me valer num santo retrato puritano,
Antes de condenar o materialismo mundano.
Adeus musa revelada no tarô e
nas estrelas.
A morte néscia já se agita neste leito glacial,
O anjo cálido corta o laço de todas as seqüelas.
Jamais uma lágrima desalenta me fará imortal.
Não chore nesta hora que a
vida é quase nada,
Serei salvo pelo silvo breve do seu último sorriso,
Vagarei o meu caminho invisível a te esperar,
Apelo, pedindo o impossível: o seu amor preciso.
Não me negue este último
desejo, dê-me sua mão...
Será deste último suspiro, na dor da extrema unção,
Num ventre qualquer, no retorno e na fecundação...
Que os átomos de amor trarão você na reencarnação.
Wagner Ferreira nasceu em Sorocaba, é poeta, romancista, cronista, contista, co-autor das antologias Sorocult e Rodamundo em 2008, também colunista do site Sorocult.com, e cintiammores.com, cursou Direito na Fadi e Letras na Unicoc, é autodidata, acumulando várias atividades no comércio e exercendo várias profissões.
Autor do romance místico, “O caçador de milagres”. Um romance de auto-conhecimento, que traz sabedorias milenares para a realidade brasileira.