
Poemas
Fernando Tanajura Menezes
Enigma
Eu
aqui
e
tu justo em frente de mim
cara
a cara,
quiçá
numa luta corpo a corpo,
tudo
querendo dizer
e
sem nada falar
Tu
aí
e
eu justo em frente de ti
sem
pensar,
sem
dizer
Mudos
como dois postes
de
madeira
enfileirados
Postes
calados
e
no silêncio tudo dizendo:
nada
Ah
se brotassem
das
bocas nossas palavras!
Quem
haveria de combater as emoções
do nosso pensar?!
Eu
aqui e tu
justo
aí
a
lambuzar os dedos
de
sequilhos e broinhas
talvez
pensando em
olorosos
serafins
ou
ciclopes loucos
preterindo
o préstito
de
finados
Quantos
enigmas
a
descalçar facetas várias!
Qual
a contradição
da
argila que moldou
os
nossos arcabouços
em
solitários calabouços?
Queria
repetir calada
todo
o fio condutor
de
nossas vidas
Como
sobreviver a
essa
corrupção dos meus sentidos?
Hesito
em te escutar
e
não vou muito longe
Procuro
um devaneio
e
nada acho
-
é todo em vão
o
meu silêncio argento.
Nada
diz tua palavra
muda.
Tu
sempre aí
à
minha frente
e
eu,
eu
sempre aqui
tentando
decifrar
desesperado
enigma
(in Revista Alternativa - Boston-MA/USA - Agosto 2000)