
Poemas
Fernando Tanajura Menezes
Nem Te Olho
Que
raiva tenho de mim neste momento!
Tão
perto de teu corpo
no
entanto, tão distante
Podia
tudo, então, acontecer agora
e...
nem
te olho.
Não
atrevo a levantar
este
olhar que se diz casto
Talvez
com medo de ti
Talvez
com medo de tua mão imensa
pousada
em meu regaço.
Ah,
se essa mão se levantasse
Ah,
se essa mão!
Se
ela tão imota atingisse de cheio a minha face
e
assim fizesse despertar-me do letargo.
Levanta
essa mão - me acorda! –
me
faz olhar pra ti, porque...
nem
te olho.
Como
me preparei para esta hora!
Me
fiz ardente, solta, louca e quente,
no
entanto fico fusca e, de repente,
não
ouso te pedir o que bem quero
e...
nem
te olho.
Queria
te pedir: me faz mulher agora,
penetra
no meu corpo ,
me
livra deste peso!
Faz
logo tua, a carne que é tua
Eu
trouxe de outras terras este desejo
Sonhei
em abandonar-me toda a noite.
Se
pensas que sou pura?, é só por fora
Por
dentro ardem fogos de um desejo
puro
de me enroscar em ti,
de
me entregar por todo e sempre
Cadê
a audaz coragem que
tanto
adornei com flores
e
outros laços?
Onde
estão as pérolas que
que
no fundo mergulhei por tantos mares
para
catá-las unas, simples,
brancas
e ordenadas?
E
o perfume do incenso que
queimei
com fé para
purificar
o desejoso enlace?
Onde
está a paixão que me incendeia,
me
rompe e me alucina?
É
falta de ousadia ou
isso
é mesmo medo?
Medo
que me completes
e
que eu atinja o gozo... pois...
nem
te olho.
É
tarde, amor. Tenho que ir-me agora
O
tempo passou rápido
e
tudo não mudou
Solto
um sorriso tímido e medroso
Deixo
que tu beijes a minha fronte cálida;
me
afasto no silêncio e...
nem
te olho.