Textos em Prosa

Fahed Daher

O Bem Social

A lei determina e , acompanhamos o noticiário da atividade do IBAMA   definindo terras não produtivas para efeito de desapropriação ,para fins de reforma agrária”,com o fim de assentamentos de “sem terras “ – e sem terras é a maioria da população brasileira – muitos deles inaptos para a atividade produtiva agrária ou mesmo  a atividade de comércio agrário.

Reza a lei  ou determina a lei que a terra  é um bem social e a terra  que não produz deve ser desapropriada para  destinações de produção . Idealmente é capítulo notável e de grande valor humano econômico e social, se estiver acompanhado do capítulo do desenvolvimento de capacitação   do novo ocupante das terras desapropriadas , sob o regime de comodato intransferível por prazo determinado de prova de capacidade produtiva e econômica e o apoio  logístico e financeiro.

O que ainda não consegui digerir dentro deste esquema do valor dos “valores” , analisando  os elementos  motores das atividades humanas, na recente estrutura  da economia ,”valores “ que movem valores  e “valores “ que cada vez mais se concentram nas mãos de poucos que conseguem montar esquemas e empresas  que geram tais “valores”; Ainda não consegui digerir o fato de que, sendo “ valor” o dinheiro, “o vil metal” o chamado meio circulante que realmente movimenta todo o processo de produção e consumo,  porque, este elemento que se concentra  cada vez mais em mãos ou em domínio de poucos  e que se especializam  através dele , na movimentação e lucro, porque também e especialmente ele, o dinheiro, o motor de toda a atividade  econômica e por isto atividade de saúde, segurança, educação, etc etc etc, porque não é definido como bem social , passível de seqüestro quando , à imitação da propriedade agrícola, não resulta em bem social.!

Observe-se  que o bem social alegado  pelo capital é o argumento da geração de empregos.               Geração de empregos, em maioria de  salários de quase sobrevivência  enquanto o acumulo  em mãos dos que conseguiram tais geração de empregos é de supervivência  ao ponto de , diretamente ou  indiretamente  influir nos destinos da coletividade, financiando e fazendo eleger  políticos dos seus interesses e  promovendo campanhas de consumo, na formação de opinião e impulso da mesma população  que assumiu os empregos, no consumismo do retorno do salário aos cofres dos que  concentram o capital  sem fim social.

Se espontaneamente não cabe ao capital a preocupação com o social , ao estado cabe esta preocupação, inclusive criando mecanismo de arrecadação menos onerosa para a população e mais  substanciosa para  o grande lucrador, como pretendeu Getúlio Vargas tentando  criar o imposto de renda para lucros extraordinários e minorando a carga dos assalariados que ,atualmente,entram na faixa de contribuição do grande capital, pagando 27,5% de imposto de renda quando ultrapassa aos R$1.800,00 de salários e salário realmente não é renda .

A terra como bem social apenas pode bem exercer esta função quando  a produção é acompanhada pelo lucro resultante do trabalho e do investimento o que muitas vezes se torna impossível pelas oscilações dos preços agrícolas, como freqüentemente vemos lavradores  perdendo produção por queda de preço justamente durante o período das colheitas e  eles, os lavradores, produtores, desaparelhados para a estocagem e  sustentação de preços  , atitudes que apenas ao grande capital é possível e do qual resultam mais altos lucros.

Dar terras aos sem terra, cosa bela, como se fosse a solução de tudo. Falta farofa em papo tão peludo  que não vale levar fogo à panela. Falar é bom, é fácil, não me iludo, mas como resolver esta querela  de tomar terra de quem é graúdo, pra fazer produzir em mãos aquela  que calejadas não tem capital  e nem sequer o tino comercial para lucrar na forma necessária? Penso lá que, ao fazer reforma agrária é preciso fazer também bancária, na escola, na política e moral.

Fahed  Daher- Médico. Apucarana

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