
Textos em Prosa
Fahed Daher
A Bioética
Vem-me à lembrança a verdade tornada piada,dos tempos dos chás dançantes de Engenharia, em Curitiba, na Sociedade Duque de Caixias, na Rua Dr. Muricy, esquina com José Loureiro( que saudade) quando um colega convidou a jovem “ varseana”” para dançar e mesma respondeu :
- Não danço!
- Porque?
- Porque quando danço canso, quando canso suo, quando suo fedo...
Dai que , parodiando , na fadiga dos raciocínios, me dá vontade de não pensar, porque quando penso luto, quando luto canso por não ver onde chegar e só não fedo porque mergulho na espiritualidade, crente de que um dia( que não seja após outra catástrofe maior) as lideranças da humanidade despertem para a verdade incontestavel de que ninguém é ou permanecerá dono de qualquer coisa ou fato na superfície da terra e, a partir dai, possa haver harmonização universal..
Aprendemos ,na dinâmica da vida, que em tudo deve haver um principio, uma ética e realmente, mesmo entre animais existe o código da natureza que determina atitudes entre as espécies,código que chamaremos instintivos .
Seres humanos, nossa capacidade de mentalização , investigação e de criatividade ,hipertrofiando os instintos de conservação pessoal, de conservação da espécie , da hierarquia e domínio territorial, leva-nos a desrespeitar as normas ou éticas naturais, criando cada um, de acordo com seu poder pessoal ou de organização grupal , éticas ou atitudes morais de acordo com seus interesses de posses e dominações.
Nada interfere no comportamento em face do poderoso, a não ser outro poder real ou inconformado donde resulta o embate que pode levar a humanidade a holocaustos, como aconteceu em grande escala, nas chamadas guerras mundiais e ainda existem em pequenas guerras chamadas revoluções ou conflitos regionais de “disputas religiosas””preconceitos raciais”...”contrabandos” ou mesmo”disputas de poder”em nome do bem estar social.
Temos certeza de que os investigadores do passado, como Pasteur, gastando seus próprios recursos à busca das verdades científicas, o fazia por ideal humanitário.
Hoje a pergunta é pertinente: O quanto, na busca de poder e domínio, as grandes organizações proveem e financiam cientistas para as descobertas ?
Quando se discute a conservação da natureza e a conservação do planeta terra, quanto há de renúncia das grandes organizações e quanto de participação efetiva para esta conservação que é atribuída especialmente às atitudes humanistas de pessoas ou de pequenas organizações( Haja vista que os EEUU não concordaram em assinar protocolo de diminuição de poluição ambiental, durante as reuniões na Àsia ).
No avanço das descobertas científicas porque ainda não foi criada uma ética das investigações, primando pela definição do que é o progresso e na realidade a quem deve beneficiar, para termos a partir dai o que deverá ser feito do ser humano e que ou qual tipo de ser humano pretendemos construir ou melhor, fugindo da linguagem de engenharia, que tipo de ser humano pretendemos formar?
Certamente as grandes organizações empresariais e de domínio financeiro, para melhores controles do statuas de poder hão de preferir “ciborgues” para o futuro, dentro da realidade do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Então ai estará definida a ética do poder .
Na espiritualidade e na crença de um poder criador universal chamado Alá ou Deus ou Jeová, primando pela harmonia universal e a fraternidade, a ética terá de ser a de aprimoramento de cada um dentro da estrutura do bem estar geral, na distribuição de direitos e deveres,,do respeito mútuo e da formação escolar onde estão incluídos fortemente os meios de comunicação, a mídia, limitando a gula, a luxuria, o despotismo , o açambarcamento e a devastação dos recursos naturais.
O chamado apocalípse, apregoado nos textos bíblicos , não chegará a ser o castigo de Deus, entidade imanente e transcendente, a figura barbuda do deus que favorece uns e castiga outros, mas o castigo resultante da agressão à entidade viva, chamada terra, que na sequência da doença recebida pela indisciplina dos comportamentos humanos, doença que chamo de “humanoma malígno” a própria terra reagirá catastróficamente para seus predadores, não como castigo, mas como agonia de um corpo que sendo destruido, destroe seus agentes patológicos por perder capacidade vital.
A busca das investigações é imperiosa, pela curiosidade inata e interrogação do que é a vida e porque vivemos.
Mas pode chegar ao ponto, se não está próximo, de se acender o fósforo para ver se há gasolina no grande depósito?
Fahed Daher. - Médico- Apucarana