Poemas

Fahed Daher

BRASIL

Meu solo um dia foi tomado,
foi explorado, sacrificado.
Seduziram meu povo,
seviciaram
por séculos.

 

Cortaram minhas matas,
poluíram meus rios,
arranharam meu solo
fundamente,
senti dores terríveis, sinto ainda.

 

Meu céu chora lágrimas de chuva
que vertem sobre meu corpo
procurando lavar
meus ferimentos,
lamentos...Tormentos!

 

Eu sou eu,sangue nobre, lutador,
sonhador, visionário
 e bom guerreiro,
braço forte
eu bem sei do meu valor,
tenho sido amarrado no dinheiro
mas minha mente cresce
 e se estremece,
meu peito com valor de brasileiro.

 

Bendito o pé que aqui pisou
e aqui ergueu sua casa
 e dá do seu suor as gotas que fecundam este solo.
Se tem origem
não tem cores estrangeiras,
não são brancas, vermelhas,
pretas, ruivas,
são o verde –amarelo,
na pureza do céu de anil.

 

Do meu sangue formou seu alimento
da minha água seu encantamento.
Do que sou cada um compõem comigo e comigo contribui
para que eu seja forte
 e seja amigo,
sou Brasil.

 

Eu quero ter respeito,
eu sou nação,
não quero parasitas no meu corpo,
não quero que me cortem,
me desnudem,
eu sou o alimento do faminto,
eu mato a sede
 do que me procura,
mas não rompam-me a carne
sem compô-la,
não destruam a mata
que me cobre,
não sequem os meus rios caudalosos
nem quero que me explorem
 sem razão.

 

Não quero a mão estranha
 me explorando,
nem quero bocas parasitas, torpes,
sugando a minha seiva.
Eu quero ser global
 neste planeta,
mas não escravo.

 

Aqueles que procuram
 meus tesouros
venham morar aqui,
 produzam benefícios,
não levem as riquezas que possuo
no furto legal,
deixando minha gente na pobreza,
sem senso de moral.

 

Minhas escolas quero aprimoradas,
agigantadas,
com professores probos, dedicados
construindo gerações
capazes de erigir castelos nobres
no humanismo do arrebatamento
nos mil sabores dos conhecimentos
das artes, das ciências da filosofia
que faz crescer a alma a cada dia,
sem permitir pobreza no meu solo,
e serei mais fecundo no consolo
de sentir que na bondade
fruto vicejante da fraternidade
é a força da razão.

 

Eu quero ver justiça no meu povo,
que haja respeito a todas as pessoas.
Que em cada tribunal sempre ressoe
a melodia plena do direito
e cada juiz carregue no seu peito
o divino sentido do equilíbrio,
capaz de sentenciar ou perdoar
sem importar a posição social,
nem a pobreza ou condição racial,
dentro dos seus direitos e deveres.

 

Não quero que haja tribunais injustos
capazes de punir apenas pobres.
Eu sou eu mesmo,
cresço e me agiganto,
meu povo, brasileiro é bravo e forte,
meus rios, o meu solo, minhas matas,
os meus desertos e minhas cascatas
são dádivas de Deus
e estou a proteger,
com o céu por manto,
quem puro e lutador vier lutar
para crescer comigo e os filhos meus.

Fahed Daher,
médico
 23/08/99

Academia de Letras de Londrina

voltar