Fahed Daher

® A ESPADA RITUALÍSTICA =
Por que a justiça tem de ser cega e usar uma arma perfuro- cortante?

Definindo a simbologia da espada, leio em trabalho do “Irmão Monte Cristo Si” a exaltação de que  a espada, antes de tudo  é  também característica da virtude, da bravura, do poder, ainda expandindo que o poder tem o duplo sentido, o destruidor e o construtor admitindo que a espada pode   manter a paz e a justiça. Platão nos ensina que “o poder é a arma dos fortes (injustiça). A moral é a arma dos fracos (justiça)”
Pois, através dos séculos, a espada sempre foi  instrumento  de conquistas e guerras e morticínios entre os povos comandados por reis e generais, alguns com interesses de conquistas e enriquecimento, outros com a necessidade de defesa, mas nunca instrumento de diálogo e conciliação. Até quando surgiu a pólvora que passou a dominar pelas armas de fogo a ação guerreira pertencia às espadas, nas lutas corpo a corpo. Com as armas de fogo a baioneta, arma branca adaptada ao terminal das espingardas, serviu e em alguns casos ainda serve nos avanços das tropas. A energia atômica covardemente vai se impondo a todos, baionetas, espadas e armas de fogo.
A espada é ação da  força mas não da razão. Ação de imposição e não de condução. O domínio e não a conciliação. O poder e não a fraternidade. O tinir de ferros e não a filosofia.
 Diz o nosso articulista que,  associada à balança, a espada traz a idéia de justiça.
Realmente a balança simboliza a tomada do peso das partes e cuja tomada de pesos das partes o conceito de justo há de ser  feito sem cegueira, mas com a visão clara,  analisando o valor  do volume e do peso de cada uma das partes, para qualificar e quantificar o  equilíbrio.
No final da constatação do peso nos pratos, no sentido da justiça, a espada não pode ser o final do julgamento e a sentença pois ao final do julgamento  a sentença  nunca deveria se proceder por instrumento  de violência, mas pela presença da pena, pena  que determina a pena para o injusto e  ou o perdão para o justo.
A espada, sim, para a coerção do executor da sentença contra o crime violento.
Se buscamos na Bíblia a inspiração para o simbolismo, contrariando a espada, deveremos  ter presente a tábua das leis que Moisés recebeu de Deus no alto do monte.
Na moderna filosofia modificam-se as sentenças das penalidade quando se busca,  em  civilizações mais responsáveis, desenvolver a escolaridade, a consciência, a responsabilidade, a espiritualidade, fazendo o nivelamento social, eliminando o espírito da soberania imperial e da política indecente dos abusos e dos subornos, buscando que o capitalismo não seja selvagem mas seja a distribuição  das oportunidades.
O articulista, defendendo a simbologia da espada diz que “é também o símbolo da guerra Santa”. Santa não podemos considerar nenhuma das guerras, nem mesmo a das cruzadas, em nome de Cristo, Cristo que jamais usou de alguma arma que pudesse ferir, nem mesmo a arma da palavra  violenta e ou depreciativa.
Quando no Getsêmani, um dos seguidores de Jesus cortou a orelha de um dos esbirros  do sumo sacerdote judeu, o Mestre não abençoou a espada mas curou com a benção da sua mão o ferimento do  ofendido e repudiou o uso da arma – (Lucas-22:47)
Refere o articulista sobre a espada que ela  é “.como símbolo do verbo, da palavra e da ação...”  Afirmo que o símbolo do verbo, da palavra e da ação deve ser sempre a  estrela guia, brilhando nos céus  do infinito e se refletindo nas águas da inteligência  ora serenas ora em ebulição de sustentar o justo, com os ventos da sabedoria,  pois  o verbo, a palavra devem ser produtos do conhecimento e  da emoção fraternal que se deve à humanidade, como a espiritualidade que Cristo nos entregou. A ação não deve ter por guia a espada, mas a doação dos bens interiores que se guarda pelo aprimoramento da vivência, desde que não seja vivência distorcida da paranóia, da inveja, da necrofilia. Bens interiores  para que todos se beneficiem e nada seja  exercido pela violência de ferros cortantes ou perfurantes.
Seguindo os versos de Castro Alves no poema “ O livro e a América” (1868),não é  a espada o símbolo da imposição da razão. O poeta  quando recomenda a nossa atitude diante de Deus, não nos diz que deverá ser com a espada mas, diz-nos o poeta da mocidade:
“Filhos do século das luzes, // filhos da grande nação, // quando ante Deus vos mostrardes // tereis um livro na mão...”
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