Fahed Daher

Amor À Morte

         Onde está o amor de pessoas que perdem o senso de humanidade e humanismo e
não se importam com os males que suas subidas políticas e econômicas alcançam?

Se considerarmos a morte não apenas na situação de que a matéria viva perca sua função e se transforme em proteínas e substâncias químicas em deterioração ou em transformação, mas também a condição de mesmo sendo matéria viva, organismo consciente e pensante, mas castigado pelas incompetências e ou maus tratos sociais, provocando a agressão à auto-estima podemos ver a perda da personalidade, o não ser, a incapacidade de ser aceito em bons relacionamentos e a condição de vir a ser marginalizado da sociedade. Socialmente o não existir

Os que participam da atividade de manter estas pessoas em condições inferiores de vida, levando-as ao estado de, como se referiu o poeta Castro Alves no poema “Mocidade e Morte”, “Vivos que vagam sobre o chão da morte, morto entre vivos a vagar na terra...” estão manifestando a condição de amantes da morte.

Amor à morte recebe na linguagem da psicanálise a denominação de necrofilia. Decompondo o vocábulo grego, ”necro” significando morte e “filos” significando amigo”.

Na linguagem mais científica necrofilia significa amor aos mortos e patologicamente ou em forma de doença mental, pessoas e buscam mortos para neles praticar atos de relação sexual.

Tendências para a necrofilia ou de amor à morte se manifestam em diversos graus em pessoas que gostam de falar e descrever doenças, enterros e morte, em geral procurando febrilmente, nos jornais a relação de mortos, a buscar mesmo locais de guardamento.

No comportamento diário há tipos que são impulsionados para a atividade de humilhar, não exatamente de matar.

Outros, assassinos frios e impiedosos, estes são amantes da morte. Outros com espírito cruel, como os torturadores dos regimes ditatoriais ou semi ditatoriais que fazem seus trabalhos no gozo íntimo de quase se masturbar assistindo a agonia da sua vítima; verdadeiros necrófilos.  

A imposição da força e a capacidade de dominar e destruir mesmo pessoa, privando-a da liberdade ou limitando ao máximo, castigando-a.  

Os necrófilos têm a tendência de amar a brutalidade, a destruindo em troca de construir, mais impelidos pela força do que pela afetividade e razão.

Na civilização atual os que dominam a mega máquina e o mega capital tem tendência a perder a alma.

Na atual condição da super população onde o nome de cada um é substituído pelo número do registro público e a personalidade fica anônima, o espaço territorial  restrito à dimensão da sua sombra, o relacionamento amoroso  exaltado apenas  pela relação sexual sem nome, alimentação feita nos balcões de pratos feitos,  sono interrompido pelo despertador que manda para o trabalho assalariado e anônimo... Mega máquinas.

 As novelas exibindo vivências de regalias excitam a imaginação dos que não tem poder para alcançar dão por resultado as frustrações.

A busca do amor que nas novelas apresentadas apenas pelas cenas de triângulos amorosos, erotismo, das relações sexuais semi-explícitas, matam o impulso afetivo para a solidez conjugal

Na mídia cenas constantes de agressividades diversas, em guerras, acidentes e jogos guerreiros estimulam a violência, inimiga do verdadeiro amor.

O anjo da morte faz adeptos na era da mega máquina e do mega capital com as guerras, os genocídios, o desenvolvimento da insanidade nos “vietnãs,” nos “Afeganistãos”, nas torres gêmeas, na Palestina, em Israel.

E os símbolos da necrofilia aparecem, nos últimos séculos em Hitler, em Stalin, em Jorge Busch, em Abiladem, lembrando Calígula.

Existe uma multidão de crianças carentes, de excepcionais mentais e físicos, de juventude aguardando a oportunidade de se aperfeiçoar, de mães carentes buscando amparo para suas crias e ao mesmo tempo legião de pretendentes políticos na busca dos votos prometendo maravilhas assistenciais, educacionais, como o caso da fome zero e,passam a se alojar em  palácios abastecidos...

Candidatos que ao assumirem  cargos pretendidos, ao em vez de Deus, chamam os anjos da morte arrebanhando altos ganhos, mensalinhos e mensalões, verbas de regalias extraordinárias enquanto a legião dos necessitados permanece sob a pressão dos que se fazem amantes da morte, nas filas dos hospitais, nos aguardos de aposentadorias de fome, na liberalidade sexual da adolescência.

Não matam fisicamente, matam a esperança, a fé e o espírito de nacionalidade – alimentando  vítimas da necrofilia..

A mega máquina com o mega capital tem força para modificar o ambiente desde que não sejam dirigidos por paranóicos.

Se dirigidos por biófilos (amantes da vida) e façam criar novas imagens em todos os campos da educação e das comunicações e sejam mais, realmente, cultivadores do amor à vida, estabelecendo leis e regras iguais para todos, com tribunais onde juizes sejam divinos deuses.

         Academia de Letras de Londrina.

          Academia de Letras Centro norte do Paraná

            Academia de Letras José de Alencar (Curitiba)

               Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores – Patrono-  

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