|
‘Nós não podemos, como muitos aspiram, tomar os Estados Unidos
da América do Norte como tipo para o nosso desenvolvimento
industrial, porque não temos as aptidões superiores de sua raça,
força que representa o papel principal no panorama, o papel
principal no progresso industrial desse grande povo.’ (Joaquim
Murtinho, 1987 )
Este conceito ainda hoje adotado por algumas pessoas de curso
superior (embora um curso universitário hoje já não seja um
curso superior, se não tiver pós - graduação, mestrado,
doutorado, etc,). Mas a declaração acima pertence a um ministro
da fazenda brasileiro, do governo Campos Sales em 1897, cujo
nome é Joaquim Murtinho.
No
entanto o parecer de Joaquim Murtinho não foi pensamento
isolado, pois o pensador Oliveira Viana comungava do mesmo
conceito, admitindo a superioridade do povo ariano contra a
inferioridade do nosso povo.
Vamos encontrar estas citações no livro de Viana Moog, sociólogo
e romancista gaúcho, num estudo comparado entre o
desenvolvimento de Brasil e Estados Unidos, livro intitulado
“Bandeirantes e Pioneiros,” edição 1955, estudo para a nossa
juventude e nossos políticos..
A
realidade é a diferença de preparo intelectual e técnico
ampliando a inteligência, com desenvolvimento de sensibilidade e
organização social, amor à terra que se quer como Pátria
independente onde se deseja permanecer por toda a vida, sem
aceitar a diferença genética.
A
colonização americana se fez pela migração de famílias
interessadas em novas oportunidades. Religiosos, saídos da
Inglaterra, com todos os pertences possíveis e sem o pensamento
ou interesse de regressar para o país de origem, donde procurar
se radicar nas terras da América e, sobrevivendo, educar seus
filhos nas novas condições de vida e de oportunidades.
Também migraram condenados e degredados, mas a solidez da
fixação da colonização foi a integração das famílias.
Com
este propósito instalaram-se formando aldeias, onde, alem da
casa de residência construíram a escola e a igreja, obrigando a
cada um a alfabetização, ao menos para ler a Bíblia, o livro
sagrado onde se encontrava, para eles, todas as verdades
necessárias. Alem da casa e da igreja e da escola, cada casa
montando sua oficina, pois não tinham condição para buscar
recursos à distância e se obrigaram a improvisar objetos de
madeira ou metal ou tecidos para as suas necessidades, donde a
criação do espírito inventivo.e dedicação ao trabalho
A
colonização portuguesa no Brasil se fez pelo invasor à busca de
riquezas, inicialmente a devastação do pau Brasil e a seguir a
busca do ouro e das pedras preciosas, com pouco interesse de se
fixar à terra, mas com o interesse de regressar à pátria, por
isto a maior parte dos migrantes não veio com a família, embora
muitos tivessem composto a formação de vilas ou aldeias, entre
os que não puderam regressar procuraram se fixar e ajudaram a
construir povoados que se transformaram em vilas e cidades, como
no caso da fundação de São Vicente em 1532 embora sem valorizar
a escolaridade que corria pela ação dos jesuítas que também
comandavam a construção de templos católicos, muitos deles muito
bem decorados.
Dedicaram-se à exploração rudimentar da lavoura, sem equipamento
para arar e plantar, precisando para isto o braço escravo.
O
desenvolvimento industrial centrou-se nas indústrias de açúcar e
de cachaça, este produto muito usado para trocar por escravos,
na África.
Penetraram terra adentro, fazendo-se bandeirantes e não
pioneiros, dando por conseqüência o alargamento do território
dominado pela metrópole portuguesa, fazendo o que é hoje grande
território brasileiro, mas sem o desenvolvimento da população no
índice cultural e técnico, população que se satisfez com a
economia escravocrata e extrativista, criando a cultura da
indignidade do trabalho para os não escravos.
O
gosto do americano foi sempre o uso das mãos, como nas oficinas
e nos laboratórios, além da terra, enquanto os brasileiros,
aqueles que se consideraram nobres” evitaram o uso das mãos.
Na biografia do Barão de Mauá, o maior empresário brasileiro do
século 19, e que valorizou o trabalho dos não escravos, consta
que, durante a inauguração da estrada de ferro, tendo Mauá
mandado fazer um carrinho de jacarandá e uma pá de prata, pediu
ao imperador para levantar com a pá uma porção de terra e
colocar no carrinho, como símbolo e estímulo para o trabalho, ao
que, por resultado, o imperador tornar-se adversário do Barão.
A
estatística de importações brasileira de produtos da França, no
ano de 1851,de onde a oligarquia buscava a inspiração da moda e
de conhecimentos literários e algo de filosofia, a estatística
apresenta apenas um e meio por cento de importação de material
industrial, sendo o restante importação de perfumes finos,
vinhos, chapéus elegantes, tecidos finos e assim por diante,
alem de caixões mortuários, caixões de defuntos bem decorados.
Médico-
Apucarana – Academia de Letras Centro Norte do Paraná
Academia de Letras de Londrina. SOBRAMES. – U.B.T.
Centro de Letras do Paraná (Curitiba)
Academia de Letras Centro Norte do Paraná.
|