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Partindo do princípio de que o
“progresso” ou, como querem alguns, o desenvolvimento econômico,
depende especialmente do desenvolvimento mental, conhecimento
técnico, habilidade manual, imaginação e motivação, com ela o
desenvolvimento cultural, e que este desenvolvimento econômico
tenha por objetivo o bem estar da comunidade, objetivo que
apenas pode ser conseguido pela condição de liberdade, com
disciplina e com objetivos filosóficos do grupo, objetivos que
apenas podem existir se existir uma liderança (note - uma
liderança e não uma chefia), o atraso de Brasil está dependente
da inexistência destes fatores e em seu lugar dominando o
”culto da personalidade” onde se destacam pessoas, dominadores
de partidos, caciques, dispensando a filosofia social e os
programas de ação.
As perturbações que conduziram o
Brasil para a “revolução” (ou melhor, Golpe militar) de 1964
caracterizou a luta pelo poder por interesses econômicos
privados, sem as premissas acima destacadas, aqui na busca da
substituição de um comando e não da substituição de uma
filosofia.
As premissas acima deveriam
obrigar aos dirigentes (que deveriam ser líderes e não
caciques), alem das obras de imediatismo, obrigar à previsão ou
simplesmente visão de futuro e ao preparo das novas gerações,
para que possam assumir novos comandos e prosseguir nas rotas
das realizações e da ética .
O Brasil tem tido comandantes,
chefes políticos, caciques que antigamente eram chamados
“coronéis.”
Coronéis de verdade, do nosso
exército, comandaram a revolução de 1964, com diversas
realizações materiais, espantando o “virtual comunismo” que,
segundo a lenda, ameaçava o Brasil “livre e democrático,” livre
do fantasma do comunismo marxista mas mergulhado na democracia
dos atos institucionais e nas severas punições aos opositores.
O regime militar seguiu a filosofia
da democracia romana antiga: “Podeis falar reservadamente o que
quiserdes desde que pagueis todos os seus impostos em dia e não
tomeis armas contra o estado ou provoqueis subversão”.
Filosofia e programas? Não. Preparo
das novas gerações? Não.
Acovardou as gerações por vinte
anos pela repressão policial? Sim.
Após o regime militar restou um
aglomerado de pessoas, entre as quais muitos espertos,
politiqueiros, ludibriando a boa fé de um povo despreparado e
acovardado, apoiados por capitais exploradores, prometendo
perseguir marajás, criando multiplicação de partidos políticos
para disputas de eleições para cargos públicos bem remunerados,
supostos combatentes contras a inflação que elevaram a inflação
quase cem por cento ao mês, salvadores da Pátria com novidades
monetárias, populistas, mensalões e sanguessugas...
Muitas vezes temos medo do
comunismo. Se na filosofia comunista a repressão e o resultado
do trabalho deve enriquecer o “estado,” neste novo regime
indisciplinado, a sobrecarga de impostos que incide sobre o
nosso trabalho, de cinqüenta por cento, cujos impostos
permaneceram à disposição dos detentores do poder
indiscriminadamente, tal como agora, como assistimos em todas as
discussões e publicações da imprensa, sem um organismo jurídico
controlador. Prepara as novas gerações? Não. Cria filosofias ou
prega filosofias sociais e humanitárias? Não. Prepara a
consciência e a ética social e disciplina de familiar? Não.
Amor à Pátria? Não.
Ainda agora vemos o índice de
analfabetismo que não foi eliminado. Analfabetismo, na
verdadeira definição útil, é o da pessoa que mesmo sabendo
decodificar as letras do alfabeto, não sabe conjuga-las e
entender a idéia revelada na escrita, embora grandes verbas
tenham sido aplicados no famoso “mobral” que pretendeu eliminar
o analfabetismo mas ensinando pessoas de mais de 40 anos sem o
uso dos óculos.
Então, se não se fez o
aprimoramento as gerações, aprimoramento populacional,
derrotando os maus políticos e aprimorando a codificação
política, estabelecendo a cultura da ética, dos direitos e
deveres, estabelecimento das responsabilidades, detalhes da
integração do corpo social, não se fez e não se faz o
crescimento o que impede a capacidade de fazer o país sair do
atraso e nossos jovens passam a migrar para outros paises.
Discutem a macroeconomia para o
desenvolvimento. Sem um maquinário apropriado a industria não
produz satisfatoriamente. Sem um povo habilitado o atraso não se
elimina.
MÉDICO- Apucarana. Sociedade Brasileira
de Médicos Escritores |