Fahed Daher

Atraso De Brasil XVI

Partindo do princípio de que o “progresso” ou, como querem alguns, o desenvolvimento econômico, depende especialmente do desenvolvimento mental, conhecimento técnico, habilidade manual, imaginação e motivação, com ela o desenvolvimento cultural, e que este desenvolvimento econômico tenha por objetivo o bem estar da comunidade, objetivo que apenas pode ser conseguido pela condição de liberdade, com disciplina e com objetivos filosóficos do grupo, objetivos que apenas podem existir se existir uma liderança (note - uma liderança e não uma chefia), o atraso de Brasil está dependente da inexistência destes fatores e em seu lugar dominando  o ”culto da personalidade” onde se destacam pessoas, dominadores de partidos, caciques,  dispensando a filosofia social e os programas de ação.

As perturbações que conduziram o Brasil para a “revolução” (ou melhor, Golpe militar) de 1964 caracterizou a luta pelo poder por interesses econômicos privados, sem as premissas acima destacadas, aqui na busca da substituição de um comando e não da substituição de uma filosofia.

As  premissas acima deveriam obrigar aos dirigentes (que deveriam ser líderes e não caciques), alem das obras de imediatismo, obrigar à previsão ou simplesmente visão de futuro e ao preparo das novas gerações,  para que possam assumir novos comandos e prosseguir nas rotas das realizações e  da ética .

O Brasil tem tido comandantes, chefes políticos, caciques que antigamente  eram chamados “coronéis.”

Coronéis de verdade, do nosso exército, comandaram a revolução de 1964, com diversas realizações materiais, espantando o “virtual comunismo” que, segundo a lenda, ameaçava o Brasil “livre e democrático,” livre do fantasma do comunismo marxista mas mergulhado na democracia dos atos institucionais e nas severas punições aos opositores.

O regime militar seguiu a filosofia da democracia romana antiga: “Podeis falar reservadamente o que quiserdes  desde que pagueis todos os seus impostos em dia e não tomeis armas contra o estado ou provoqueis subversão”.

Filosofia e programas? Não. Preparo das novas gerações? Não.

Acovardou as gerações por vinte anos pela repressão policial? Sim.

Após o regime militar restou um aglomerado de pessoas, entre as quais muitos espertos, politiqueiros, ludibriando a boa fé de um povo despreparado e acovardado, apoiados por capitais exploradores, prometendo perseguir marajás, criando multiplicação de partidos políticos para disputas de eleições para cargos públicos bem remunerados, supostos combatentes contras a inflação que elevaram a inflação quase cem por cento ao mês, salvadores da Pátria com novidades monetárias, populistas, mensalões e sanguessugas...

Muitas vezes temos medo do comunismo. Se na filosofia comunista  a repressão e o resultado do trabalho deve enriquecer o “estado,”  neste novo regime indisciplinado, a sobrecarga de impostos que incide sobre o nosso trabalho,  de cinqüenta por cento,  cujos impostos permaneceram à disposição dos detentores do poder indiscriminadamente, tal como agora, como assistimos em todas as discussões e publicações da imprensa, sem um organismo jurídico controlador.  Prepara as novas gerações? Não. Cria filosofias ou prega filosofias sociais e humanitárias? Não.  Prepara a consciência e a ética social e disciplina de familiar?  Não.  Amor à Pátria? Não.

Ainda agora vemos o índice de analfabetismo que não foi eliminado. Analfabetismo, na verdadeira definição útil, é o da pessoa  que mesmo sabendo decodificar as letras do alfabeto, não sabe conjuga-las e entender  a idéia revelada na escrita, embora grandes verbas tenham sido aplicados no famoso “mobral” que pretendeu eliminar o analfabetismo mas ensinando pessoas de mais de 40 anos sem o uso dos óculos.

Então, se não se fez o aprimoramento as gerações, aprimoramento populacional, derrotando os maus políticos e aprimorando a codificação política, estabelecendo a cultura da ética, dos direitos e deveres, estabelecimento das responsabilidades, detalhes da integração do corpo social, não se fez e não se faz o crescimento o que impede a capacidade de fazer o país sair do atraso e nossos jovens passam a migrar para outros paises. 

Discutem a macroeconomia para o desenvolvimento. Sem um maquinário apropriado a industria não produz satisfatoriamente. Sem um povo habilitado o atraso não se elimina.

MÉDICO- Apucarana. Sociedade Brasileira de Médicos Escritores

voltar