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O meu autor de cabeceira, Erch Fromm, um excelentíssimo
psiquiatra e filósofo hebraico e diferente da filosofia do
Estado de Israel, um pacifista, humanista e universalista, no
livro de sua autoria “O coração do Homem,” no capítulo das
agressividades e violências, descreve como um dos motivos da
violência o desamor ocasionado pelo desmoronamento da fé.
Retratando o que lá está escrito assim ele escreve: “A pessoa
profundamente ludibriada e desapontada também pode começar a
odiar a vida”.
Se não há nada nem ninguém em quem acreditar, se a sua fé na
bondade e na JUSTIÇA (este grifo é meu) foi apenas uma ilusão
tola, se a vida é dirigida pelo diabo e não por Deus – então de
fato a vida torna-se odiosa: Não se pode tolerar mais a dor do
desapontamento.
A pessoa quer provar que a vida é má, que os homens são maus,
que ela própria é má. O crente e amante da vida, desapontado
tornar-se-á, então, um cínico e um destruidor. Esta
destrutividade é fruto do desespero. O desapontamento com a vida
leva ao ódio à vida.
O mesmo é verdade na vida social onde líderes em quem se
confiou mostram-se maus e incompetentes. Se a reação não for de
maior independência, frequentemente será de cinismo e
destrutividade” (Erich Fromm).
Acaso existe alguma meditação sobre esta descrição do autor
através da qual se possa entender o pouco ou o muito do que se
passa com o Brasil de hoje, conturbado e que vem se agravando
diante dos últimos anos de governantes que se dedicam ao culto
da personalidade e com ele o desejo mórbido de se manter no
poder pelo poder, sem objetivar o exercício da liderança que
leva a população ao equilíbrio à esperança, ao sentido de visão
fraterna e patriótica, estimulando a fé?
Donde se tem de observar que a atividade política que apenas se
preocupa com os índices econômicos, esmolas enganadoras
seduzindo a população para a perpetuação de mando nos postos
legais ou nos bastidores, este comportamento não inspira
confiança e esperança a uma população, mas leva cada um apenas
para a atividade de lucro e posição de comando, sem exaltar o
valor da sociedade e da fraternidade, do respeito e do
acatamento dos valores coletivos, comportamento que leva cada
um a se preocupar consigo mesmo e o resto do mundo que se dane.
Aqui Deus, na sua dignidade de entidade divina e protetora da
humanidade já não existe.
E como é lógico, cada um pensando que o resto do mundo que se
dane, ao final todos se danarão, declinando da dignidade e da
honra, entregando as riquezas a quem tenha organização e
escravize aos que se danam.
Os crimes e as violências crescerão a cada dia e não haverá
organização de repressão ou de segurança suficiente para
controlar a anarquia posto que os mesmos contingentes destas
atividades, também tendo perdido a fé, não sentem ânimo para
enfrentar os crimes, sabendo que os poderes não lhes
proporcionam condições seguras e, como povo, sofrem da mesma
perda da fé e vivem na desesperança.
A intoxicação política com levas de candidatos intoxicados pela
vontade de assumir cargos eletivos bem remunerados os leva a
atitudes mentirosas de afirmarem que lutam ou lutarão por
conquistas triviais como a segurança, a escolaridade, o emprego,
lutas para as quais não tem conhecimento prático ou técnico,
daí, atuam como camelôs fazendo pregações de mercadorias
contrabandeadas nas portas das lojas ou nos camelódromos à
espera de usufruírem algum lucro...A migalha de uma eleição.
Pensando em pregações que possam render votos, não se esmeram e
nunca se preocuparam em se aprimorar no sentido de Pátria e de
como levar esta população a entender este sentido e criar a fé.
Sem uma organização social sólida e harmônica em que todos
pensam mais no coletivo do que no lucro e no mando pelo mando,
nunca teremos paz e sem o exercício da paz os decantados índices
econômicos são balelas do oportunismo dos mais espertos,
enquanto a população há de viver sempre no sobressalto,
sacrificada pela paranóia dos governantes intoxicados pelo culto
da personalidade, rodeados pelos oportunistas que sabem aplaudir
as vaidades dos vaidosos e, pelos aplausos, receberem as fatias
da fortuna que o poder monetário pode proporcionar.
MÉDICO - APUCARANA. Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.
Academia de Letras Centro |Norte do Paraná
Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.
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