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De princípio ficava entendido
que os “Sem Terra” eram aqueles que haviam saído dos trabalhos
da terra por invasão das águas das represas em suas
propriedades, não tendo eles as compensações de receberem em
paga novas terras.
Na evolução os sem terras
passaram a ser todos os que podem acampar em vastas áreas de
terras à espera de receber algum vantajoso pedaço de chão
agricultável e, maliciosamente, muitas vezes estimulados e
usados para fins politiqueiros. Daí que todo mundo é sem alguma
coisa, com os mesmos direitos dos chamados sem terra.
Acontece, daí que o cidadão,
relutando, proclamando seus direitos foi levado à presença do
delegado com a acusação de ter furtado um automóvel.
__ Delegado! – Iniciou o
policial fazendo a acusação- Este meliante foi acusado pelo
comerciante Izak, ali da praça do Pelourinho, de ter furtado o
carro monza 2.005 de propriedade do Izak. Também este ladrão,
nega ter roubado ao ter se apossado do veiculo ilegalmente, que
estava estacionado na rua e a rua é pública, em frente à loja do
Izak.
___ Ponha este meliante em
detenção e vamos lavrar a acusação, mas ficará preso em
flagrante- sentenciou o delegado.
O prisioneiro levantou
o protesto, com toda a elegância e firmeza:
____ Senhor delegado! O senhor
não pode atender à acusação deste distinto policial. Realmente
ele está procurando cumprir as obrigações de policial. Apenas há
um grave engano. Eu não sou um ladrão. Eu não roubei o carro do
Sr. Izak. Eu procedi a uma invasão de propriedade. Eu sou um sem
condução. Um sem automóvel e invadi uma propriedade. Como os sem
terra, o sr. Izak, tido como proprietário, que entre em juízo
com um pedido de reintegração de posse deste automóvel. Se o
sr. Juiz conceder a sentença da reintegração de posse a favor do
dito proprietário e se o Exmo. Sr. Governador autorizar ao sr
delegado que me faça restituir o bem, assim o farei, sem reação
e sem violência. Mas até que se cumpra a sentença o bem ficará
na minha posse com direito de uso e ainda exigindo que o sr.
providencie um posto de gasolina que me abasteça o veiculo até o
final desta questão.
Muito lógica a argumentação do
suposto ladrão que não se apossou do veiculo para o desmanche e
nem para leva-lo para o Paraguai ou para um receptador.
Assim também aconteceu em outra
delegacia onde o cidadão foi preso com a acusação de ter
assaltado uma senhora e ter se apossado do dinheiro da distinta.
___ Sr. Delegado! Eu não roubei,
Eu sou um sem dinheiro. A senhora deve entrar com uma ação
judicial que a favoreça na reintegração de posse do numerário.
Uma vez declarada a sentença de restituição do dinheiro e se o
sr. Governador autorizar, a polícia poderá me intimar a
devolver o dinheiro, o que farei sem mais relutância, procurando
outro possuidor do bem considerado improdutivo e simplesmente
guardado por usura..
Ai é que a coisa prossegue
tendo acontecido que outro cidadão seqüestrou uma bela senhora e
diante da acusação de seqüestro se defendeu dizendo:
___Sr. Delegado eu não
seqüestrei. Eu sou um sem mulher e me apossei da distinta. O sr.
não pode me prender e apenas direi onde a tenho mediante uma
sentença judicial e a autorização do sr. Governador para a
intervenção policial para a reintegração de posse... Se ela não
se apaixonar por mim. E o direito da mulher sem homem? Ah! Daí o
bicho pega.
Assim ficamos diante do direito
dos sem alguma coisa, mas fica a interrogação de um problema da
maior gravidade.
Como agem e reclamam dos seus
direitos certos tipos de pessoas que fazem parte do grupo dos
sem vergonha? Estes são cheios de direitos.
Faço referência aos sem
vergonha. Estes, mensalinhos e mensalões e sangue sugas e Al
Capones. Parece que estão acomodados e não se preocupam ao se
apossar de alguma coisa, pela comodidade de serem possuidores
de caras de pau, com privilégios e, supomos, apenas deveriam se
apossar de potes de cera lustrosa para polir a própria cara
ostentando na vida pública o palavrório mentiroso e enganador
em benefício das agradáveis mordomias e regalias régias dos
cargos públicos muito bem remunerados..
Como bons defensores da classe
dos sem vergonha se exaltam como defensores da moral e da
pátria, declarando-se defensores da miséria.
Ninguém discorda de que são
defensores da miséria, da miséria, mas na verdade não são
defensores dos miseráveis, desenvolvendo trabalhos e atitudes
que favoreçam a saída da situação deprimente em que vivem os
rejeitados.
Fahed Daher –
Médico.- Apucarana- Paraná-
ddaher@net21.com.br
Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. |