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“Papai Noel,
isto é um troço, confesso que já não posso entender mais o
Natal: Compre, compre na loucura, depois fique na pindura à
espera do carnaval”.
Sabe! Quantos
natais já passei?... 30 ? 50 ? 70?...
Sim! Mas
quantos natais já passou a humanidade, a humanidade cristã... Ou
mesmo a humanidade universal de budistas, xintoísta, maometanos
e outros?...
Não houve
peregrinações, especialmente no meu mundo.
Vejamos se o
Natal, como a comemoração do nascimento de Jesus, tem sido
festejado na humildade do respeito, na oração, na concentração,
na meditação, com festas sem altas libações, sem altos “achés”...
Ou se a cada
Natal e mesmo a cada preparação para o Natal ficamos presos nas
mercadorias que haveremos de dar, às vezes para pessoas que não
precisam de qualquer objeto, enquanto negamos a tantos que
precisam de qualquer objeto.
A cada Natal
ficamos presos na idéia de qual a mercadoria que receberemos,
mesmo sem precisar, mas que queremos receber por receber.
A preocupação
com o whiski e que de preferência não poderá ou não deverá ser o
nacional, mas o legítimo escocês e de preferência, se possível o
“Roial Salut” e que, ou fazemos, por ele, viagem especial ao
Paraguai ou pedimos a um sacoleiro...
O nacional,
não! Mas afinal Jesus não é insignificante para ser saudado com
bebida nacional... Depois, o que dirão de mim os meus amigos?...
–“Muquirana!
Unha de fome!
Pão duro! É capaz de atravessar o oceano, a nado, com o
sonrrisal na palma da mão e sem deixar que derreta.”
“Cerveja? Bem!
Cerveja sim! Pode ser nacional, afinal aqui todo mundo já
acostumou com a nossa cerveja e o que importa dela é que esteja
bem geladinha, ponto da “cerveja do patrão”. Porque se não for
geladinha lá vem aquela piadinha safada:” Duas coisas que homem
não suporta... Cerveja quente e mulher da gente!”
---- Para ai!
Mas que coisa. Precisamos do leitão. Leitão dá sorte. Focinha
pra frente. Sim. Já providenciamos o leitão, o chester, a
lentilha. Lentilha lembra dinheiro e desejamos acima de tudo
dinheiro.
Enfeites
artesanais pendurados nas paredes. Luzes, lâmpadas, velas...
Enfeitar nossas casas, afinal quem passar pelas ruas ou visitar
as casas terá de sentir que a nossa casa é rica, pois nossos
enfeites ganharão o primeiro lugar no concurso de ornamentação.
Música. “Noite
feliz... Noite feliz...” Vamos preparar a gravação... A gente
não sabe cantar direitinho, mas cumpre o solfejo ou o
“ooOOOooo oooOOOooo” e ninguém vai reparar que a gente não sabe
cantar mas a gente cumpre o compromisso com o nascimento de
Jesus e antes desta cantoria chamamos alguém, o mais velho ou o
mais freqüentador de missa para ler trecho da bíblia e fazer
alguma oração....
Que não seja
longa. “Noite feliz... Noite feliz...”
Quem está realmente feliz? Quem está concentrado em Cristo e
meditando como ele meditava no Monte das Oliveiras, falando
discretamente com o Pai, aconselhando-se e refazendo seus
pensamentos e reconhecendo seus erros?
Creio que o
mais freqüente da meditação seja da promissória a ser cobrada...
Das prestações
que se acumularão a parir de janeiro... Da viagem para a
praia... O faturamento da temporada... O empréstimo bancário...
A fuga para o motel após a ceia ou mesmo a fuga para fazer a
ceia no motel... O baile no clube ou na “boate “ . A bebida. A
conquista., A transa...
Ah! Sim!
Rezarmos o “Pai Nosso” == Perdoai as nossas ofensas... Mas
porque trocaram, era tão mais simpático quando se rezava
dizendo: == Perdoai as nossas dívidas... Talvez alguém se
entusiasmasse e perdoa-se nosso crediário.
Nasceu Jesus.
Faz tempo. Mas queremos que renasça sempre, pois sempre nos
fazem lembrar a presença do Natal. Sim! Ele renasce, sempre, não
somente em dezembro, renascem todos os dias dentro de nós, sem
festas e sem bebidas. Sem bailes e sem enfeites. Sem crediários,
prestações. Renasce sempre que paramos para meditar, rever
nossos comportamentos e, sem os sacrifícios aos quais Ele
chegou, mas apenas com a resignação e a disponibilidade de
fraternidade nos dedicamos ao nosso aperfeiçoamento espiritual
desenvolvendo a bondade, a caridade, a fraternidade, o respeito,
a colaboração em termos de promover os que estão à nossa roda e
que precisam de nós.
Camisas,
camisetas, crucifixos, imagens enfeitando nossos peitos... São
lindos. Mas concordo que é fácil carregar Jesus no peito, mas o
difícil, o verdadeiro Cristão, sem enfeites e sem lemas, ter
peito para seguir Jesus.
Oremos na
meditação.
Médico Apucarana -Academia de Letras Centro Norte do
Paraná.
Academia de Letras de
Londrina. // Sociedade Brasileira de Médicos escritores. |