2003-2004

Ano velho, ano Novo
     Vânia Moreira Diniz

Não senti a pressa como que o ano velho passou, tantas e tão grandes foram os acontecimentos pessoais, contrastantes na sua maioria, entre alegres e alguns cheios de dor.

Ele caminhou comigo, sem ao menos perguntar se estava tudo bem, sorrindo entre os intervalos dos dias, entregando-me o que me competia e não perguntando pela minha reação. E eu continuei a contemplá-lo, esperançosa a agradecer a profundidade de sentimentos que fizeram do meu ano algo por vezes tão maravilhoso, que o marcava com  a regozijo dos grandes acontecimentos. E de repente vinha a borrasca derrubando as estruturas  fazendo com que sonhasse outros períodos, imaginando-me longe daquele ano que começava a carregar o peso dos dias inexoráveis.

Realizações profissionais, mudanças radicais, conhecimento, entre meus textos em prosa e verso, a minha literatura, e a presença de sonhos e ideais.

Ano de profundo amor, que me deixou atônita. Apaixonada, terna e rendida sem sentir a passagem do tempo indelével e constante, eu abençoava esse ano que me fez conhecer o verdadeiro amor, imergir nas reflexões mais profundas, esperar encantada todo as manifestações de vida, lirismo, aturdida entre as batidas de meu próprio coração.

Perdi, entretanto pessoas tão queridas, que se foram para o espaço desconhecido, deixando meu coração transido de insofismável saudade e aflição.

Dividido entre ternuras e dureza,  o velho 2003 me fez ver o quanto de  fortaleza precisávamos para trilhar junto com ele seus passos.Eram inesperadas suas decisões.

Tivemos enfim, a presença  daquele que se fez líder e se transformou no Presidente da República aplaudido por quase todo o povo brasileiro. E esperamos agora o retorno de nossas esperanças.

Tivemos crimes hediondos, gestos generosos, a vida célere, as conversas habituais e a presença da generosidade e também da indiferença. Vimos aturdidos crianças e adultos passarem fome e a riqueza que rondava os privilegiados.

Surge o novo ano , tão jovem e sem experiência amparando o velho que já sai aos poucos arrependido de certos atos e glorioso de outras atitudes. Ele se vai sem a pose do início, sem a segurança com que entrou, ostentando entre as rugas as dúvidas do que poderia ter feito de melhor, recordando as lágrimas de alguns e exultando pelos risos de alegria de muitos de seus súditos.

Contemplando o novo ano, cuja auréola de luz e esperança ele bendiz, espera silenciosamente que esse mês finde e que possa descansar não sei se em paz, mas desejando que seu jovem substituto consiga realizar aquilo que ele mal conseguiu entre os acontecimentos confusos do ano que está se esvaindo.

E vejo a luz que se aproxima trazendo o ano de 2004, a certeza que deixa à sua volta, o sorrisos de pura alegria, e  convicção do que pretende fazer.

Eles se encontram na linha que separa os dois espaços de tempos e se apertam as mãos, um exaurido, já sem forças e o outro imponente, magnífico, a juventude a brilhar na figura ereta e desenvolta, como imaginando a glória e a os ideais de todos os seus futuros súditos concentrados no seu belo rosto, e no olhar cujo brilho se reflete no planeta sempre à procura da esperança , felicidade e amor.

Ano velho, ano Novo, que fazem nesse momento parte de nossas vidas e a quem dirigimos nossos pedidos e expectativas.


Brilho do Ano Novo
Vânia Moreira Diniz

Acompanho o velhinho até o fim,
Imaginando que suas lembranças
Fiquem marcadas em minha alma,
Com  o prazer das grandes emoções!

Sua sabedoria entenderá as indecisões,
A procura, carências e até injustiças,
Que possa, imperfeita ter cometido,
No caminho que ele liderou com fé.

Revejo esse velho ano que se extingue,
Em meio aos prazeres e tantas decepções,
Que o mestre me fez compreender sorrindo,
No valor inexcedível de marcantes vivências.

A tristeza de saber que o velho ano se vai,
Encarcerando ilusões que ficaram para trás,
Levando sonhos que adormeceram tristes,
Marcará a época vindoura com esperanças.

Sinto a alegria de uma nova fase que chega,
Mostrando em sua breve aparição a luz,
Que brilhará na eloqüência de gestos,
A nos indicarem uma era de desejos.

Enquanto o bom velho alquebrado e triste,
Acompanha os passos já do tempo que esvai,
Deixando as marcas da ternura que ficarão,
O jovem chega sem experiência, mas vibrante.

E os dois, carregando ambos emoções,
Miram-se no apogeu da linha que se cruza,
No horizonte do destino misterioso,
A falar de sentimentos de qualquer tempo.

O presente e o futuro ali se encontram,
Plenos de certeza e expectativas,
O primeiro saindo tão devagarzinho,
Realizado, às vezes triste ou glorioso,

O futuro nos acena, então,
Indeciso e transbordante de cores,
Com passos tranqüilos, mas tateantes,
Na semi-escuridão do nascimento.
       

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