Dr Antonio Paulo Filomeno

A importância do ensino para leigos do SBV  

(Suporte Básico de Vida)

 - Vamos salvar vidas? -

            A morte recente do jogador Paulo Sérgio Oliveira, o Serginho, que teve uma parada cardiorespiratória durante um jogo, chocou o país. A tragédia nos possibilita uma profunda reflexão. Deste evento dramático devemos tirar lições que motivem ações concretas.

            As doenças cardiorespiratórias são a principal causa de mortalidade nos países industrializados, e metade destas são secundárias à doença arterial coronariana.

Contudo, outras patologias, muitas vezes não detectadas por serem assintomáticas ou pouco investigadas podem também gerar arritmias fatais. Foi o caso. O atleta era portador de uma cardiopatia hipertrófica onde o músculo cardíaco além de obstruir o fluxo de sangue para a aorta provocando síncope, também pode gerar impulsos elétricos anômalos, arritmias, que se não revertidos a tempo provocam a morte.

            Dois terços destes eventos ocorrem de forma súbita, fora dos hospitais. Por isso, a probabilidade de que o primeiro atendimento seja dado pela população leiga que presencia o evento é muito maior do que pela equipe especializada dentro do ambiente hospitalar. Nos países desenvolvidos já existe, há algumas décadas, a preocupação em se treinar essa população nas manobras básicas de ressuscitação, como por exemplo, a massagem cardíaca e a respiração boca a boca, além de ativação telefônica de um determinado número.

            O sistema emergencial americano reconhece que o atendimento dado pelo leigo que testemunha o evento tem tanta importância quanto o suporte avançado que, em geral, é representado pela chegada da ambulância com o médico.

            Trabalhos comprovam que esse início de atendimento tem papel fundamental e que as comunidades onde a população recebe esse treinamento tem melhores índices de sobrevivência após eventos de morte súbita.

            Atualmente, nos Estados Unidos, três quartos das vítimas com parada cardiorespiratória fora do ambiente hospitalar não sobrevivem.

            Além disso, sabe-se que a cada minuto que passa a possibilidade de sobrevivência de uma vítima de fibrilação ventricular diminui em 10%, aproximando-se de ZERO após 10 minutos.

            A desfibrilação precoce, além das manobras de massagem cardíaca e respiração, é fator determinante na sobrevivência de uma pessoa acometida desta arritmia. O treinamento de leigos em situações de emergência tem sido e será sempre um grande desafio.

            Nosso país está vivendo uma época de seriedade e de revisão de valores. Em todos os campos notam-se pessoas mais atentas, mais compenetradas, trabalhando com disposição em busca não só de uma melhora pessoal, mas de uma melhora do todo.

            As ações para poupar vidas têm que ser enérgicas e abranger toda a sociedade.

            É incompreensível que a televisão, com seu enorme poder de comunicação não destine 3 minutos de sua programação, recheada de inutilidades, para ensinar ao leigo uma simples técnica que pode salvar vidas. É incompreensível que nossos legisladores não apresentem um projeto de lei com esta finalidade, tornando obrigatório o ensino de atendimento básico emergencial por leigos em escolas, universidades, serviço público e empresas. Vamos levar esta idéia adiante. Vamos salvar vidas... dos outros, e quem sabe, de nossa própria vida.


Manobras básicas para ressuscitação cardiorespiratória


Curiosidades

 

 

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