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Quase todos sabem o significado da palavra prevenção: precaução para evitar qualquer mal...(2-Michaelis), etc. Aliás, é ação óbvia para que se evite uma série de eventos possíveis de ocorrer no dia-a-dia de nossas vidas. A prevenção e a educação constituem solução, se não para todos, mas seguramente para a maioria dos problemas da humanidade. Temos acompanhado a luta das autoridades sanitárias na questão da Hantavirose. As mortes já são muitas e a preocupação é geral. Vamos retroceder no tempo. Desde os tempos de escola fundamental somos instruídos a lavar as mãos antes das refeições, andar com os pés calçados, escovar os dentes. Quando crescemos e evoluímos, as instruções continuam e se aprofundam, fazer exercícios, alimentação adequada, controle dos “stress”, etc. Mas será que isso é o bastante? Em minha opinião, apesar da maioria das pessoas saber da importância das atitudes preventivas e da necessidade de uma educação continuada em prevenção, os investimentos e ações nestas áreas são modestas e até certo ponto irresponsáveis. Quando a dengue assolou o país de forma mais intensa somente aí a população foi alertada para combater o mosquito, evitar águas estagnadas em vasilhas, etc. A epidemia já estava presente. E olha que quando estudante de medicina, aprendi que a dengue era uma doença ainda distante do nosso país. Agora presenciamos a população do Entorno e área rural sendo ameaçada e atacada por uma virose veiculada por ratos silvestres. Divulga-se somente agora que os terrenos devem estar limpos. Evitar deixar alimentos expostos, e outras providências. Nada contra estas ações, aliás, bem desenvolvidas pelas autoridades sanitárias. Contudo existe alguma coisa errada em tudo isso. As atitudes preventivas precisam ser melhor estruturadas através de educação da população leiga de forma ampla, contínua, multidisciplinar e sobretudo precoce, envolvendo a mídia, associações médicas e entidades voltadas à ações comunitárias. Os órgãos de divulgação devem ceder espaço para programas de educação sanitária divulgando de forma clara alertas e esclarecimentos à população. As propagandas e programas na grande maioria de cunho comercial e desinformativo ocupam praticamente 100% dos espaços nestes veículos. O público em geral e em especial a população menos privilegiada e assistida deveria tomar conhecimento continuamente de uma série de doenças passíveis de ocorrer em populações de baixa renda que vivem em situação precária. Muitos não lêem jornais, mas todos têm TV e Rádio. A questão é que a mídia televisiva, com maior poder de penetração e comunicação, não cede espaço, não se sente obrigada a abrir mão de um pequeno horário. As novelas e filmes violentos são mais importantes. Mas as responsabilidades não devem ser atribuídas somente as autoridades e a mídia. As sociedades e associações médicas têm uma enorme parcela de culpa nesta história. As ações não são tímidas...são insignificantes. Política, luta por melhores salários e honorários, defesa de classe...tudo isso é importante. Ações comunitárias que promovam a saúde e o bem estar, também. Aliás, isto é bem definido no código da profissão. Mas quem faz? De que adianta o profissional da área de saúde dizer: - Tudo bem. Vou ajudar. - Mas como? Aonde? De que maneira? Falta um projeto de educação comunitária abrangente, contínuo, sem sofisticação, onde os voluntários que são muitos possam atuar de forma eficaz e produtiva. Ninguém investe nisso. Aonde estão as ações concretas do departamento comunitário da AMB? Para que ele serve exatamente? Há meses encaminhei um projeto à Associação Médica de Brasília onde propunha minuciosamente uma ação para detecção e combate aos fatores de risco cardiovascular em nossa cidade, sabida e comprovadamente detentora de índices elevados de morbi-mortalidade neste setor. O estudo é uma parceria da FUNCOR/SBC, Centro de Estudos do Hospital Santa Lúcia e da própria AMBr. Até agora não obtive resposta, acho que o projeto nem foi lido. E olhe que tudo era a custo ZERO. Enquanto isso os ratos e mosquitos fazem a festa, as pessoas morrem e as novelas, Big Brother e outros programas de “elevado nível cultural” vão ao ar com sucesso. |