Dr Antonio Paulo Filomeno

 Filhos De Hipertensos 
apresentam alterações  cardíacas 

         É de amplo conhecimento no meio médico geral e de expressiva parcela do público leigo os malefícios causados pela hipertensão arterial, considerada a mais importante epidemia desde a segunda metade do século vinte, com perspectivas de grande expansão ao longo deste início de milênio.

De fato, os dados epidemiológicos são preocupantes. Nos mostram que a incidência de hipertensão arterial na população é de até 30%, com predominância na raça negra, e que sua freqüência aumenta de maneira expressiva entre os idosos, atingindo cerca de 50% dos indivíduos após 65 anos.

Fato mais relevante e bastante preocupante é a constatação de que grande parte dos indivíduos hipertensos são assintomáticos e muitas vezes desconhecem ser portadores de hipertensão, aumentando, assim, o potencial de morbi/mortalidade da doença.

Mais recentemente, com o estabelecimento de diretrizes (consensos) do diagnóstico e tratamento de hipertensão arterial determinado pelo esforço conjunto das sociedades brasileiras de cardiologia e nefrologia, ficou evidenciada, entre outras recomendações, a necessidade de se estabelecer, com precisão, a classificação diagnóstica da pressão arterial em crianças, adolescentes e jovens de um modo geral.

Por tudo isso, lemos com apreensão, no Jornal da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), janeiro/fevereiro 1999, artigo comentado cujo título abre esta matéria.

A pesquisa, a nosso ver, reveste-se da maior importância e apesar da pequena amostragem não desmerece o fato constatado.

A evidência inicial de que jovens com pais hipertensos apresentam alterações cardíacas mesmo antes de apresentar qualquer sinal de hipertensão arterial é preocupante.

Conduzido por pesquisadores de três centros médicos do Rio de Janeiro, o trabalho abrangeu 62 indivíduos entre 15 e 30 anos divididos em dois grupos;

Um com filhos de hipertensos e outro com filhos de pessoas sem hipertensão. Todos foram avaliados clinicamente e por ecocardiografia, tendo sido constatado pressão normal em todas as pessoas dos dois grupos:

Foram encontradas alterações morfofuncionais discretas nos corações de filhos de hipertensos parecidas com as que ocorrem na fase inicial de hipertensão, quando ainda não há comprometimento de estrutura do coração.

Esses fatos nos alerta quanto à necessidade imperiosa de ampliar essa pesquisa, dando-lhe características multicêntrica e análise estatística adequada, a fim de que possamos melhor avaliar sua dimensão real.

Para reforçar esse alerta, os clínicos, pediatras e também os cardiologistas devem procurar rotineiramente medir a pressão arterial em crianças, adolescentes e jovens, visto que essa população não é tão isenta assim das mazelas que ocorrem nos adultos e idosos.

Dr. Antonio Paulo Filomeno

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