Dr Antonio Paulo Filomeno
Humanizar é Preciso  

A humanização na medicina tem sido uma das condutas mais importantes adotadas nos bons serviços, (hospitais, clínicas e consultórios), em todo o mundo. Felizmente, foi-se o tempo dos médicos esbaforidos e apressados, sem tempo para um apoio psicológico ao seu paciente, interessado unicamente em diagnosticar, medicar e ter os resultados da terapêutica aplicada. Já não há mais espaço para a enfermagem sisuda e estritamente profissional, a nutricionista que só atenta para suas tabelas e a recepcionista carrancuda e mal-humorada. 

            O paciente que é hospitalizado, que vai à consulta, realiza um exame de esclarecimento diagnóstico ou que vai à emergência em um evento agudo quer mais do que ser atendido. Ele se encontra em um ambiente estranho, entregando o que possui de mais valioso, sua vida, a pessoas estranhas.

            O profissionalismo e a competência, se bem que importantes, não são tudo o que esse indivíduo necessita. Aliás, talvez seja até a parte menos importante.

            - Humanizar, esta é a palavra-chave!

            O componente emocional e depressivo é enorme nos pacientes portadores de doença clínicas, nos terminais, nos pós-operatórios ou que vão realizar tratamentos cirúrgicos, quimioterapia e mesmo exames invasivos.

            A emotividade e a depressão influenciam enormemente na recuperação em pós-operatórios e mesmo em tratamentos clínicos. Suprime o otimismo e a perspectiva de recuperação, afeta o humor, influencia no sono e apetite. Existem evidências sólidas de que essas emoções atuam sobre a queda da imunidade, alterando para pior o curso da evolução do paciente.

            Recentemente, a depressão tornou-se mais um fator de risco cardiovascular reconhecido, contribuindo para gerar eventos coronarianos agudos. Uma revisão sobre o assunto confirmou que pacientes depressivos apresentam maior adesividade plaquetária pela seretonina (Psycosom. Méd. 2003;  65: 729-37).

Em humanos foi descoberto os receptores 5-HT (2A) nas plaquetas de pacientes depressivos em comparação com saudáveis (EUR. Psychiatry, 1999; 14:451-7). As alterações do cálcio citosólico plaquetário induz a mudanças estruturais nas plaquetas, maior exposição dos receptores de agregação e adesão celular. Além disso, facilita as vias de ciclooxigenase e proteína C quinase, favorecendo a liberação de grânulos de tromboxane A2. 

            Pacientes deprimidos em situação hospitalar têm sua mortalidade por doença coronariana elevada. É preciso reconhecê-los e tratá-los não só com remédios, mas com palavras e gestos que traduzam carinho, apoio, conforto e atenção.

           Hospitais e clínicas têm investido nessa área com a máxima atenção. Desde a entrada na emergência à hospitalização e alta, médicos, enfermeiros, nutricionistas e funcionários vêm cada vez mais aplicando esses princípios salutares e evidentes.

           Um sorriso, escutar as queixas e reclamações, explicar sua doença, dar um simples bom-dia, um abraço ou um aperto de mão podem gerar resultados surpreendentes.

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