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A humanização
na medicina tem sido uma das condutas mais importantes adotadas nos bons
serviços, (hospitais, clínicas e consultórios), em todo o mundo.
Felizmente, foi-se o tempo dos médicos esbaforidos e apressados, sem
tempo para um apoio psicológico ao seu paciente, interessado unicamente
em diagnosticar, medicar e ter os resultados da terapêutica aplicada. Já
não há mais espaço para a enfermagem sisuda e estritamente
profissional, a nutricionista que só atenta para suas tabelas e a
recepcionista carrancuda e mal-humorada.
O
paciente que é hospitalizado, que vai à consulta, realiza um exame de
esclarecimento diagnóstico ou que vai à emergência em um evento agudo
quer mais do que ser atendido. Ele se encontra em um ambiente estranho,
entregando o que possui de mais valioso, sua vida, a pessoas estranhas. O
profissionalismo e a competência, se bem que importantes, não são tudo
o que esse indivíduo necessita. Aliás, talvez seja até a parte menos
importante. -
Humanizar, esta é a palavra-chave! O
componente emocional e depressivo é enorme nos pacientes portadores de
doença clínicas, nos terminais, nos pós-operatórios ou que vão
realizar tratamentos cirúrgicos, quimioterapia e mesmo exames invasivos. A
emotividade e a depressão influenciam enormemente na recuperação em pós-operatórios
e mesmo em tratamentos clínicos. Suprime o otimismo e a perspectiva de
recuperação, afeta o humor, influencia no sono e apetite. Existem evidências
sólidas de que essas emoções atuam sobre a queda da imunidade,
alterando para pior o curso da evolução do paciente. Recentemente,
a depressão tornou-se mais um fator de risco cardiovascular reconhecido,
contribuindo para gerar eventos coronarianos agudos. Uma revisão sobre o
assunto confirmou que pacientes depressivos apresentam maior adesividade
plaquetária pela seretonina (Psycosom. Méd. 2003;
65: 729-37). Em humanos
foi descoberto os receptores 5-HT (2A) nas plaquetas de pacientes
depressivos em comparação com saudáveis (EUR. Psychiatry, 1999;
14:451-7). As alterações do cálcio citosólico plaquetário induz a
mudanças estruturais nas plaquetas, maior exposição dos receptores de
agregação e adesão celular. Além disso, facilita as vias de
ciclooxigenase e proteína C quinase, favorecendo a liberação de grânulos
de tromboxane A2. Pacientes
deprimidos em situação hospitalar têm sua mortalidade por doença
coronariana elevada. É preciso reconhecê-los e tratá-los não só com
remédios, mas com palavras e gestos que traduzam carinho, apoio, conforto
e atenção. Hospitais
e clínicas têm investido nessa área com a máxima atenção. Desde a
entrada na emergência à hospitalização e alta, médicos, enfermeiros,
nutricionistas e funcionários vêm cada vez mais aplicando esses princípios
salutares e evidentes. Um
sorriso, escutar as queixas e reclamações, explicar sua doença, dar um
simples bom-dia, um abraço ou um aperto de mão podem gerar resultados
surpreendentes. |